Mark Linkous, R.I.P.

Postado em Atualizado em

Todos os discos gravados por Mark Linkous soam um pouco como cartas de suicídio – até os falsamente otimistas, como o excelente It’a a wonderful life (2001). Mas, ainda assim, recebi a notícia da morte do compositor – o homem-Sparklehorse – como uma surpresa terrível. Ela chega no momento em que finalmente ficaram acertadas as negociações para o lançamento do projeto Dark Night of the Soul (com Danger Mouse), atravancado pela EMI.

Como nas canções de Elliott Smith, o desespero de Linkous nunca pareceu encenado. Pelo contrário: deixava no ouvinte uma sensação dolorida de impotência. Diante das caixas de som, éramos testemunhas, confidentes – mas não havia como ajudá-lo. Daí a dificuldade que é ouvir um disco como Good morning spider (1998), tristíssimo, ou até o próprio Dark night of the soul, todo narrado em tons de cinza, sussurrado. 

Nos álbuns mais recentes, Linkous usou da ironia para camuflar o sofrimento: It’s a wonderful life e Dreamt for light years in the belly of a mountain (2006) amenizam a tragédia com alguma tinta de fantasia. Mas, desde o início (meados de 1995), ele não conseguiu (ou não quis) esconder essa tal “escuridão da alma”. Era o que esperávamos dele, aliás. Mas existe algo de heroico na coragem dos que aceitam sofrer em público?

Não faço ideia.  

Aos mais fortes, recomendo Good morning spider, um dos meus discos preferidos dos anos 90. Mas aviso: é uma paulada.

5 comentários em “Mark Linkous, R.I.P.

    André Luiz disse:
    março 7, 2010 às 4:55 pm

    Good Morning Spider continua GRANDE. Ídolo.

    Tiago Superoito respondido:
    março 7, 2010 às 5:23 pm

    É um discaço, pena que um tanto subestimado (na época, 1998, lembro que ele foi muito elogiado na imprensa inglesa; na americana, nem tanto).

    Daniel Melo disse:
    março 7, 2010 às 7:13 pm

    Good Morning Spider é realmente obrigatório.
    E Vivadixiesubmarinetransmissionplot me deixa com a garganta seca até hoje.
    Que descanse em paz.

    André Luiz disse:
    março 7, 2010 às 7:27 pm

    É o tipo de notícia que te deixa desnorteado, sem chão. Só sofri coisa parecida quando o David Foster Wallace também partiu do mesmo jeito, abreviando a vida.

    Era um cara que a gente sabia que mais dia, menos dias, ia dar um fim pras coisas desse jeito. A literatura do DFW era um puta bilhete de suícidio, a música do Mark Linkous também. Não deixa de ser uma surpresa; e triste, muito triste.

    gabriel disse:
    março 9, 2010 às 7:39 pm

    realmente a morte deste senhor, de Lhasa e de Elliot Smith irão contribuir para o empobrecimento da minha discografia. tenho uma razoável colecção de discos dos Sparklehorse; coleccionava cdsingles, vinil de 7″ e até vídeos(!), que acompanhava o fabuloso “Good Morning Spider”,pois este senhor não tinha obra extensa. Falta-me o seu último, que tratarei de arranjaR.

    Esperemos que estes cantautores com tendências suicidas se controlem, senão…Quero mais Eels, Micah P. Hinson e outros que tais.

    Ah, e tenho em CD,oficial, a versão conjunta, com radiohead do “Wish you were here”…

    Aguardaremos também os lançamentos póstumos…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s