Lost | LA X

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(Cuidado, os próximos parágrafos contêm inúmeros spoilers da sexta temporada de Lost. Estão avisados)

Conversei com três ou quatro pessoas que, com bons argumentos, detestaram os dois primeiros episódios desta sexta temporada. Pode parecer mesmo muito difícil defender uma série que parece ter se contentado com a tarefa de explicar, um a um, os seus próprios enigmas (e os saltos temporais da quinta temporada ainda me parecem uma distração bem tola). Mas taí, discordo dos detratores: não só gostei deste recomeço como passei a acreditar que a série vai sim conseguir criar um desfecho capaz de remeter à atmosfera de mistério das primeiras temporadas.

Depois dos flashbacks e flashforwards, os roteiristas encontraram um jeito de fazer justiça ao jogo narrativo que marcou alguns dos melhores momentos do programa: agora, duas realidades se alternam. Existe a vida na ilha, em 2007, e a vida sem o acidente que derrubou no avião da Oceanic, em 2004. Seria uma temporada inteira dedicada a ilustrar o experimento do Gato de Schrödinger?

Lost segue frágil em vários aspectos: os diálogos são apenas razoáveis, as atuações não vão além do mediano e toda a encenação quase sempre acaba descambando para o kitsch (os defensores do templo, dentro da ilha, poderiam fazer parte do elenco de coadjuvantes de Piratas do Caribe). O trabalho coletivo de montagem, no entanto, continua bem afiado. E falem o que quiserem: não conheço outra série de tevê que tenha desenvolvido uma trama com uma estrutura narrativa tão livre, tão maleável. É, nesse aspecto (e continua a ser), um laboratório.

E, mais importante, parece que Damon Lindelof e Carlton Cuse vão compartilhar do sentimento prematuro de perda que acomete os fãs da série e criar uma temporada quase tristonha, melancólica. Foi que pressenti quando vi as cenas no avião, com a aparição de personagens que já não estavam em cena há algum tempo. Tem algo de bonito nisso: nessa realidade alternativa, com um quê de sonho, o espectador também realiza um desejo — o de voltar ao começo e reviver antigas sensações.

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9 comentários em “Lost | LA X

    Diego Maia disse:
    fevereiro 4, 2010 às 5:18 pm

    “E falem o que quiserem: não conheço outra série de tevê que tenha desenvolvido uma trama com uma estrutura narrativa tão livre, tão maleável. É, nesse aspecto (e continua a ser), um laboratório”

    Eu tenho falado isso desde a primeira grande quebra na estrutura narrativa, a introdução dos flashforwards.

    Mas discordo de você quanto ao elenco. Acho todos bem acima da média. Boa parte deles está interpretando o mesmo personagem de duas maneiras diferentes (três, no caso do Locke). Trabalho complicado, e eles levam bem.

    Tiago Superoito respondido:
    fevereiro 4, 2010 às 5:29 pm

    Não consigo encontrar atuações muito boas não, Diego. Talvez o Locke, neste início de temporada.

    daniela disse:
    fevereiro 4, 2010 às 9:47 pm

    Não é O melhor elenco da TV (tem Mad Men, The Closer, In Treatment, The Office, etc etc), mas dá muito-muito bem pro gasto.

    cavalca disse:
    fevereiro 4, 2010 às 9:48 pm

    O coment foi meu, hehe. Compartilhar pc com a namorada tem disso.

    Tiago Superoito respondido:
    fevereiro 4, 2010 às 11:28 pm

    E eu crente que as mulheres finalmente haviam decidido comentar neste blog, haha…

    Sua namorada também é Daniela?

    (Cara, até o elenco do Glee dá um banho em Kate/Sawyer/Miles/Claire/Michael e cia… Só gosto muito do Ben e, às vezes, do Locke)

    Diego disse:
    fevereiro 5, 2010 às 2:01 am

    Calaboca, Tiago!!!!!!

    netiteve disse:
    fevereiro 5, 2010 às 2:35 am

    São poucas as pessoas que não gostaram dessa abertura. O motivo de reclamações, ironicamente, é o melhor da série: ela se reinventa a cada nova temporada.

    Não vejo como defeitos de Lost a má atuação, embora um ou outro ator seja fraco. Já tiraram leite de pedra de Hurley, por exemplo, que é feito por um ator apenas carismático.

    Há sim roteiros fracos e algumas direções que não seguram o texto. E isso sempre foi mais visível quando ficou óbvio que muitos personagens ganharam flashbacks forçados, pois não havia mais o que contar de substancial.

    Afinal, que importância teve, por exemplo, um casamento da Kate com um policial? Ou outra lamúria de Michael para com Walt?

    Deveriam ter mudado o formato do Flasback bem antes ou terem dado mais força para as histórias. De qualquer forma culpo mais a obrigação de uma temporada ter 22 ou 24 episódios. Lost não deveria ter sido vítima disso e, por sorte, até teve cacife depois para se livrar.

    Tudo teria desandado se a essa altura da sexta temporada tivessemos que assistir a essa quantidade absurda de episódios.

    Tiago Superoito respondido:
    fevereiro 5, 2010 às 9:35 am

    O que eu disse no texto é que as atuações não vão além do mediano. Não disse que são ruins, ainda que algumas sejam bem fraquinhas.

    Pois é, concordo: Lost teria sido uma série menos esburacada se com 12 episódios por temporada.

    brunoamato disse:
    fevereiro 6, 2010 às 1:42 am

    Olha, entre os atores, eu gostei do Locke-mau conversando com o Ben e do Locke-bom conversando com o Jack. O resto esteve no piloto automático, como o próprio episódio, aliás, embora eu ache que a narrativa paralela da vez tenha potencial maior que os das temporadas 4 e 5.

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