2 ou 3 parágrafos | Nine

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As fotos de divulgação parecem indicar uma sequência de A casa do espanto, mas isto aqui é muito mais assustador do que eu esperava (e eu estava pronto para enfrentar uma ode a Fellini assinada por Rob Marshall e Harvey Weinstein, algo arrepiante por si só). Nine (1/5) é daqueles equívocos espetaculares.

É muito ruim, e nem tanto por trair o espírito do filme que supostamente homenageia (8 e meio era um delirante fluxo de consciência; isto aqui é um musical kitsch sobre crise criativa), mas por bater naquela tecla dos que tratam a Broadway (e as fórmulas da Broadway) como palco sagrado. Ninguém aguenta mais.

Como em Chicago, Marshall faz dois filmes em um: uma produção “de época” convencional entrecortada por clipes desconjuntados de performances sob holofotes. Tudo muito didático e pragmático, e uma tortura: e as canções chegam a provocar dor de barriga (eu não imaginaria o elenco de Glee interpretando Cinema italiano ou Be italian) e a caricatura dos “italianos” (uns gringos meio toscos e espalhafatosos que fumam e traem sem parar) é puro constrangimento. Meu primo de 15 anos vai curtir as cruzadas de pernas da Penélope Cruz (e aí é covardia) e os fãs de Fellini vão encontrar uma dezenas de referências — todas nos lugares mais errados.

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