2 ou 3 parágrafos | Distrito 9

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(Escrevi um parágrafo inteiro comparando este Distrito 9 com Presságio, e puxando a sardinha descaradamente para o filme do Nicolas Cage, que, a meu ver, lida mais corajosamente com imagens e incertezas que nos afligem, mas resolvi apagar tudo. Não adianta. Vocês não vão mudar de ideia.)

O plot de Distrito 9 (7/10) já foi esquadrinhado por tanta gente que fico com até com preguiça de tocar no assunto. Mas lá vai: é mesmo impressionante  a forma como Neill Blomkamp faz cinema político (e acho que nem Michael Moore fez um filme sobre apartheid, segregação, xenofobia, medidas autoritárias de governos, os maus tratos sofridos por estrangeiros, marginalidade urbana e comércio ilegal de armas) com as hipérboles de uma fita B. Os filmes B que amamos são os mais intensos, os desenfreados, os que não pedem perdão, os que pegam, matam e comem. O cineasta sabe disso, Peter Jackson sabe disso (ele fez Fome animal), minha avó sabe disso e, nos primeiros 60 minutos, com uma câmera desarranjada e autoirônica (à Cloverfield) Neill cria um dos filmes B mais destemidos que vi em alguns anos (e não vou citar Presságio, calma aí). É como um mashup de A mosca, Tropas estelares e Cidade de Deus. Com picles.

… E depois a vaca quase vai para o brejo. Entendo assim: este filme só seria uma obra-prima se durasse 15 minutos. Para uma provocação tão acelerada, que gasta logo toda a munição, é um risco tremendo decidir-se pelo formato clássico de action movie — mais um a narrar a louca escapada de um herói encrencado. Essa segunda parte acaba parecendo ordinária perto do início do filme. Mas, como o Chico bem observou, vale notar como o longa converte um protagonista detestável num chapa falível com quem todos podemos nos identificar.

3 comentários em “2 ou 3 parágrafos | Distrito 9

    RC disse:
    outubro 12, 2009 às 4:46 pm

    Aproveitando (vagamente) o assunto: quem faz a programação das salas de cinema aqui do DF? Estava disposto a enfrentar o inferno do ParkShopping para ver um filme, praticamente um filme qualquer, e havia nada menos que CINCO desenhos animados em cartaz – um número que não ocorre nem nas férias escolares! Entre os demais, aquela bosta de Os normais 2 e outras besteiras. No Embracine, que costuma ser mais “cult”, a mesma coisa. As únicas opções estavam na Academia de Tênis… um lugar que, sinceramente, prefiro evitar.

    Tiago respondido:
    outubro 12, 2009 às 7:39 pm

    RC, quatro grupos fazem a programação: o Severiano Ribeiro (ParkShopping, Brasília Shopping, Pátio, Terraço, Águas Claras), o Cinemark (Pier 21 e Taguatinga Shopping), o Cine Academia (Academia de Tênis) e Embracine (CasaPark). Há outros grupos menores, mas eles acabam não interessando muito. A programação do Cine Brasília é definida pela Secretaria de Cultura.

    O Cine Academia é o único que merece o nome de “alternativo”. O Embracine começou com essa proposta, mas agora mudou o conceito e tá mais circuitão. Agora, esse mesmo número de desenhos animados vc vai encontrar no Rio e em São Paulo. Fora do circuito alternativo, a programação não muda muito nos grandes centros.

    Carol disse:
    outubro 18, 2009 às 1:55 am

    poxa se no grandes centro está a situação está assim, pobre de mim que moro em Alumínio heheh
    Pra ver qualquer coisa tenho que viajar – resta dúvida se o próximo será esse ou Bastardos Inglórios…

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