2 ou 3 parágrafos | Trama internacional

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Os bancos são os inimigos, o sistema financeiro não poupa ninguém, o mundo corporativo é mais frio que a morte, the end. Dito dessa forma, Trama internacional (6.5/10) parece uma bobagem. Adianto logo: na onda de thrillers inspirados no cinema americano dos anos 1970, este é o menos fluente, o mais pedante e “confuso”. Mas tudo isso me cheira a uma boa tomada de posição: sem paciência alguma para passatempos à Tony Gilroy, Tom Tykwer (que é alemão, e aqui essa informação se faz essencial) constroi uma fita de espionagem a base de aço, vidro e paranoia. É um arranha-céu moderníssimo: elegante e gélido, doa a quem doer.

O diretor de Corra, Lola, corra não é o mais adequado para pilotar um Boeing desse tamanho, com todos os botões luminosos e um manual de instruções de mil páginas. Essa relação desconfortável entre Tykwer e as normas do gênero acaba fazendo bem ao filme. Admito que perdi o interesse em mais de um momento (as cenas de ação, desastradas, atropelam a narrativa feito um caminhão) e não enxerguei o fio que liga todas as teorias da conspiração atiradas pelo roteiro (se é que existe um fio). O que notei foi um confronto até mesmo entre o roteiro — um falatório sem fim — e a direção, que parece mais interessada em compor um ensaio visual sobre arquitetura.

É esta, aliás, a camada do filme que mais me atrai: Tykwer não precisaria de diálogos nem de personagens nem de uma mirabolante rede de intrigas para comentar sobre o nosso pesadelo corporativo. A arquitetura das cidades diz tudo. A primeira cena mostra o primeiro registro cinematográfico de uma arrojada estação ferroviária de Berlim. Já o clímax, quando o herói finalmente enfrenta o “sistema”, é rodado num antigo telhado de Istambul. O contraste entre novo e antigo, as cores quentes contra os tons frios, a “moral da história”, está tudo ali: uma bela exposição de fotografias perdida num thriller apenas razoável.

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7 comentários em “2 ou 3 parágrafos | Trama internacional

    guilherme semionato disse:
    junho 18, 2009 às 3:10 pm

    escute lucinda williams, moleque.

    “junebug vs. hurricane, hey hey.”

    Guga disse:
    junho 18, 2009 às 3:48 pm

    Gostei do tiroteio lá no Guggenhein.

    Tiago Superoito respondido:
    junho 18, 2009 às 4:15 pm

    Eu acho a sequência boa, Guga, mas meio deslocada no filme.

    guilherme semionato disse:
    junho 19, 2009 às 3:30 am

    não volto mais aqui, humpft.

    qualquer leitor novato euleioseublogtododiamassócrieicoragempracomentaragora de meia tigela ganha sua atenção e eu, com a artista do milênio, não.

    humpft.

    Tiago Superoito respondido:
    junho 19, 2009 às 10:57 am

    Menos, Guilherme, menos.

    E você sabe que eu conheço a Lucinda, não sabe? Eu, hem.

    melanef disse:
    junho 23, 2009 às 2:26 am

    Assisti outro Clive Owen que está nos cinemas, mas dessa vez, acompanhado de Julia Roberts no que lembra, muito de longe, uma comédia romântica. “Duplicidade” rende umas boas risadas, mas juro que no começo eu tava com sono.

    Tiago Superoito respondido:
    junho 23, 2009 às 1:04 pm

    Escrevi um textinho sobre Duplicidade, Melane. É só procurar no blog.

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