2 ou 3 parágrafos | Relapse

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eminem

Não retiro nada do que escrevi naquele outro texto sobre o retorno de Eminem (foram frases apressadas e meio toscas, mas, ei, você acabou de ganhar seis parágrafos pelo preço de três!). Modéstia à parte, notem como o Tiagão aqui conseguiu prever quase tudo sobre este álbum – e, se vocês tiverem alguns trocados sobrando, posso sugerir na caixa de comentários os números quentes da mega-sena. Só errei num detalhe: ainda que pareça um blockbuster de ação programado para se destruir em cinco semanas, Relapse (5/10) me incomodou menos do que o esperado. A premissa é até decente, ainda que o roteiro, a produção e a direção banalizem a história toda.

A trama vai mais ou menos assim: depois de vender trocentos álbuns, ficar milionário e afundar-se na esbórnia (sexo, drogas e clínicas de reabilitação, as usual), Marshall Mathers tenta voltar ao batente, mas descobre-se possuído por Slim Shady, a entidade psicopata sem-noção que tocou o terror no primeiro álbum do rapper, de 1999. Relapse deveria soar como um transe esquizofrênico: Slim Shady mata, estupra, prega peças em celebridades e inferniza Marshall Mathers — mais do que nunca, a cria devora o criador. Num determinado momento, Mathers toma a dianteira para vingar-se. Quando pensamos que o Mathers do álbum é uma versão de ficção para o Mathers real, as coisas começam a embolar. Mas ninguém deve se preocupar com isso: o disco é uma versão aguada (e interminááááável) para o freak show que existe na cabeça de Eminem.

Aguada sim, já que o confronto sangrento entre Shady e Mathers é mera desculpa para que o rapper dê uma maquiada em fórmulas de diferentes fases da carreira, sem espontaneidade ou graça — um tipo bem picareta de superprodução. Não sem consciência do próprio ridículo: a melhor faixa se chama Déjà vu.

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2 comentários em “2 ou 3 parágrafos | Relapse

    Daniel Pilon disse:
    maio 15, 2009 às 2:30 am

    Agora concordamos plenamente. A premissa era ótima para uma renovação, mas cabou que ele fez a mesma coisa de sempre e sem o mesmo brilhantismo.

    Tiago Superoito respondido:
    maio 15, 2009 às 11:10 am

    Também gostei da premissa, Pilon. Mas ouvir o disco inteiro é um martírio.

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