Mês: março 2009

2 ou 3 parágrafos | O reino do amanhã

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O reino do amanhã (8/10) parece ter sido escrito para acompanhar uma sessão de O despertar dos mortos, de George A. Romero. No livro de J.G. Ballard, um monstruoso shopping center (chamado Metro-Centre) devora uma pequena cidade no subúrbio rico da Inglaterra. É o resort, o templo, o paraíso, a redoma de vidro onde os moradores de Brooklands oram e comungam diariamente – entre máquinas de lavar, canais de tevê a cabo, praias artificiais e ursos de pelúcia.

Do autor de Crash e Terroristas do milênio (ambos impressionantes, recomendo), eu não esperava um olhar menos demolidor para a humanidade. Como os zumbis de Romero, os figurantes da trama zanzam feito sonâmbulos em escadas rolante e praças de alimentação. O personagem principal é um publicitário que, como poucos, entende as engrenagens daquele refúgio de concreto e ar condicionado – não há marketing mais eficiente, ele sabe, que a crueldade associada a espetáculos esportivos.

O livro foi criticado por repetir procedimentos típicos da obra de Ballard: a distopia quase cega, o clímax megalomaníaco (novamente, o primeiro capítulo é lúcido; o último é doentio), a crítica feroz ao consumismo e uma queda pelo camp (em vários momentos, o discurso é pura auto-paródia). Mas existe uma novidade importante: o protagonista não é apenas vítima de um novo tipo de fascismo, mas atua (cinicamente) como um arquiteto do mal. É aí que Ballard elege os grandes alvos da vez: os intelectuais que, com boas ou más intenções, lançam lenha no inferno do ser humano. Como de costume (e como o Romero de Diário dos mortos), leva esse ataque às últimas consequências.

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Entre os muros da escola

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Entre les murs, 2008. De Laurent Cantet. Com François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela e Juliette Demaille. 128min. 7.5/10

Reclamem do que quiser (e eu, pelo menos, tenho muito a reclamar), mas a lista de vencedores do Festival de Cannes de 2008 não peca por falta de coerência.

O júri liderado por Sean Penn escolheu rigorosamente filmes que espelham temas “importantes” e atuais (a máfia em Gomorra, a corrupção à europeia em Il divo) de preferência com realismo cortante, próximo ao docudrama  (Linha de passe, O silêncio de Lorna). Nada mais justo, portanto, que premiar com a Palma de Ouro este Entre os muros da escola, um longa que resume o olhar dos jurados e da curadoria do festival.

O filme de Laurent Cantet poderia até ser tomado como uma espécie de símbolo para uma das principais (talvez a principal) tendências do cinema contemporâneo: a autoficção. A expressão de Jean-Claude Bernadet veste perfeitamente uma narrativa em que o protagonista, um professor de Francês, é interpretado pelo homem cujas experiêncais reais inspiraram a trama. Ator, testemunha, personagem e roteirista atendem pelo mesmo nome: François Bégaudeau.

Aos que tratam esse naturalismo radical como uma espécie de “última fronteira” do cinema, o filme parecerá uma obra-prima. Não é meu caso. Talvez eu esteja numa outra sintonia (provavelmente sim), mas fitas selecionadas para mostras paralelas de Cannes – e que colocam em xeque certos gêneros e modismos cinematográficos, como Aquele querido mês de agosto e Sonata de Tóquio – me parecem mais provocativas, sofisticadas etc. Mais novas, enfim.

Se compararmos aos filmes anteriores de Cantet (como A agenda e Recursos humanos, ou até com o desastrado Em direção ao sul), dá para notar que o diretor não abriu mão do discurso político – em prol das minorias, contra a exploração e mecanização do trabalho humano -, agora deslocado para o ambiente de um colégio da periferia de Paris. Mas a forma como o diretor transforma uma sala de aula num microcosmo da sociedade francesa (com tensões raciais, étnicas, culturais) beira o esquematismo.

Apesar do potencial para render temas para colunas de articulistas de cadernos culturais (quem vai ser o primeiro a analisar o papel dos personagens negros do filme, aparentemente integrados à classe mas, na prática, excluídos de um sistema que não os aceita verdadeiramente?). Esse “painel da França de hoje” não é o que mais me agrada no filme, talvez por parecer didático demais.

Um dos jurados de Cannes disse ter se impressionado pela forma como o longa parece ter sido “filmado ao vivo”. A narrativa opera quase sempre nessa chave – a da confusão entre uma suposta ideia de realidade e a pura ficção – e, de fato, os atores cumprem à perfeição a proposta realista do longa. Não há outro longa sobre vida escolar que se aproxime tanto das nossas experiências do dia-a-dia, das nossas lembranças de colégio, da observação direta de costumes. Nesse ponto, sai-se quase uma extensão do documentário Ser e ter, de Nicolas Philibert.

O filme quase integralmente (ou o que tem de melhor) é a encenação da atmosfera de uma sala de aula apinhada de adolescentes. São sequências longas, ruidosas, cheias de variações de humores, (que lembram alguns trechos de O segredo do grão e O casamento de Rachel) que transformam a classe ora numa praça de guerra (conflitos à flor da pele, provocações, crueldade entre alunos e professores, agonia teen), ora numa comédia leve. Sabemos da nobreza do trabalho de um professor. Mas Cantet nos lembra que ensinar é negociar, confrontar, lidar com preconceitos e traumas, administrar diferenças.

Que aluno nunca desejou vingar-se do professor? Que professor não desejou abandonar a turma como quem desiste de uma longa sessão de tortura? Está tudo aqui.

O filme lida com esses sentimentos contraditórios com naturalidade – isso até o momento em que a ficção entra em campo para organizar esse “retrato do cotidiano” e compor uma pequena trama de conspiração, com direito a rompante de violência e o equivalente a uma cena de julgamento. É quando a realidade dá o braço a torcer.

Uma das discussões do filme (há tantas!) diz respeito ao abismo de linguagem que separa professores de alunos. Numa das cenas, uma adolescente diz algo mais ou menos assim: “A linguagem que a gente usa é outra. A sua é antiga.” Lembrei imediatamente de A esquiva. Um filme que lida com essa diferença por um viés até lírico, sem a necessidade de explicitá-la. O tipo de política sutil que, pelo visto, anda em baixa no Festival de Cannes.

Veckatimest | Grizzly Bear

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grizzlyVeckatimest é uma pequena ilha deserta perto de Massachusetts. E o nome do terceiro álbum do quarteto nova-iorquino Grizzly Bear, que retorna três anos depois da sensação indie Yellow house.

Posso interpretar como uma metáfora? Tipo: contra as expectativas de quem torce para que eles se transformem num gigante à Arcade Fire, a banda liderada por Daniel Rossen e Ed Droste prefere continuar habitando um mundo miúdo e misterioso, um refúgio tão distante e tão próximo da civilização.

O isolamento, para eles, é um porto seguro. Fazem bem. A banda não se deixou afetar pelo hype que a alçou ao paraíso do rock independente, nem tomou uma via mais acessível. O EP Friend, de 2007, indicava o início de uma fase menos abstrata e mais pop, com guitarras distorcidas, influência de dance music (no remix do CSS, por exemplo) e doçura. Era um bom disco, mas Veckatimest soa como uma verdadeira continuação para Yellow house.

Não só genuína, mas até cuidadosamente desenhada para dar sequência às ideias do disco anterior. Aquele era um álbum que tomava melodias razoavelmente convencionais (como a de Knife, que poderia ter sido gravada por um grupo vocal feminino dos anos 60) como base para experimentações psicodélicas, epifanias rurais e uma interpretação bastante atual  (à luz das invenções de um Animal Collective, por exemplo) para a lisergia musical do final dos anos 60.

É exatamente nessa base em que Veckatimest se sustenta. O que, para os fãs que esperavam uma grande novidade, pode soar frustrante. Em vez da ruptura, o Grizzly Bear adiciona alguns elementos a uma sonoridade precocemente consagrada (e reprisada no álbum do Department of Eagles, de Rossen). As guitarras de Friend rasgam boa parte das faixas, mas a atmosfera ainda é a de um ciclo barroco de canções, à Van Dyke Parks.  

Não só isso: o que transparece no álbum é absoluto detalhismo – e a intenção de forjar uma identidade sonora a todo custo. Tanto que os 54 minutos, densos, chegam a parecer exaustivos num primeiro contato (com o tempo, garanto que a familiaridade com as canções facilitará o processo). Os momentos de leveza de Yellow house (e não eram poucos) são trocados por faixas que insistem obsessivamente uma mesma estrutura: começam como pequenos mantras que desaguam em linhas melódicas tão assobiáveis quanto as de uma música do Fleet Foxes.

Essa busca por coesão rende um disco quase uniforme, com uma ou outra saída de emergência (a delicada Hold still, o desfecho Foreground). Mas fico com a impressão de que qualquer julgamento precipitado será falho. Ouço o álbum há três dias e ainda não consigo tirar conclusões definitivas. Faixas como Southern point, Two weeks, Cheerleader e Ready, able me parecem tão fortes quanto os melhores momentos do álbum anterior. Mas existe algo impenetrável e árido neste disco, como se precisássemos forçar a porta para entrar.

O que é um bom sinal. Cada vez acreditamos estar mais perto do Grizzly Bear. Veckatimest faz com que a banda chegue aos nossos ouvidos como um objeto estranho e sedutor. Mais uma vez.  

Terceiro álbum do Grizzly Bear. 12 faixas, com produção de Chris Taylor. Warp Records. 8/10

2 ou 3 parágrafos | Dexter, terceira temporada

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É comum que as séries aparem as próprias arestas lá pela terceira, quarta temporada. Nessa altura, o público já está familiarizado com os personagens e os roteiristas se sentem mais confortáveis (ou mais pressionados, em alguns casos) para tratar os conflitos da trama com um pouco mais de complexidade. De Arquivo X a Gilmore girls, a regra costuma ser essa. Mas não é o que acontece com Dexter, que vai envelhecendo mal.

A terceira temporada (6.5/10) é a mais frágil e desinteressante de todas, ainda que se dedique bravamente a explorar traços de personalidade do protagonista – acima de tudo a relação entre Dexter e o pai (agora transformado num espectro, quase um coadjuvante fantasmagórico). Ele próprio prestes a assumir a condição de papai e chefe de família, nosso herói serial killer vive um conflito introspectivo que a série – ainda sustentada em fórmulas de thriller – não dá conta de mapear (quem sabe na próxima temporada?).

Como se esse drama não fosse suficientemente forte (os roteiristas não acreditaram nele, essa é a verdade), as subtramas acabaram vencendo – o que dá a esta fase da série um tom quase descartável. São as Novas Aventuras de Dexter, apenas. A amizade entre o psicopata e um promotor tã-tã  (Jimmy Smits) e a caça a um assassino que arranca a pele das vítimas dominaram os episódios – talvez por causa dessa narrativa pouco nutritiva, nunca os atores se destacaram tanto. E uma série com Michael C. Hall e Jennifer Carpenter quase não precisa de texto. Quase.

Watchmen – O filme

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Watchmen, 2009. De Zack Snyder. Com Billy Crudup, Patrick Wilson, Jackie Earle Haley e Carla Gugino. 163min. 5/10

Watchmen – O filme é uma adaptação bastante fiel à trama narrada por Alan Moore na série de quadrinhos. Cá estão super-heróis aposentados, traumatizados e desiludidos. Cá está a América na ribanceira da guerra atômica, terra sem salvação. Os flashbacks intermitentes, as narrativas entrecortadas, as referências pop, Bob Dylan e Richard Nixon? Sim, senhor, tudo em ordem.

Como em 300,  Zack Snyder  leva ao pé da letra o mandamento principal de um fanboy: é fiel, extremamente fiel, aos ídolos. Alan Moore, que não está nos créditos do filme, aparece em cada fotograma. Nos diálogos. Nas situações. Nos personagens. Só se ausenta num detalhe (detalhe?): quem procura no filme o espírito aventureiro do britânico sairá, no mínimo, desamparado.

E usar adjetivos como inventivo ou ousado para classificar o Watchmen original é pouco, é insuficiente, não cola. Será que os fãs não perceberão que a HQ é quase o oposto do filme de Snyder? O cineasta adota o tom de homenagem, de reverência, de transcrição respeitosa. O Watchmen de papel é tudo menos isso.

Duas décadas depois de publicada, a série ainda provoca espanto pela forma feroz como enfrenta e quebra as convenções dos quadrinhos. Eu, que li o calhamaço ontem, perdi o sono. Irônica, metalinguística, um monstro de vinte cabeças, às vezes parece um romance, uma biografia, um diário, um gibi de super-herói (ou: uma paródia de gibis de super-heróis), um conto de ficção-científica, um filme-catástrofe, uma tese sobre cultura pop.

O filme é… bem, é um filme de Zack Snyder, e isso explica quase tudo. Eu queria muito não forçar comparações entre Snyder e Moore, mas me impressiona como o cineasta desaparece na sombra do escritor. Quando tenta contribuir, o diretor soa gratuito, como nas cenas de violência em slow-motion (grotescas, todas) e o sexo soft à Cine privê

De quem é o filme mesmo? Pensando melhor, não faço ideia. Desconfio que este Watchmen tenha nascido como um mamute geneticamente modificado, solto em Hollywood. Um bicho indomável, gigantesco, descontrolado – vide as quase três horas de duração.

A ambição é tanta que eu quase-quase admirei o filme como uma espécie de Southland tales para as massas. A trilha sonora oitentista lembra um pouco de Donnie Darko, ainda que reconstituir os anos 80 via Tears for Fears não pareça a estratégia mais original. O resgate da época, sempre de acordo com parâmetros realistas em voga, segue de perto o clima de Batman – O cavaleiro das trevas. Mas Snyder aplica tão radicalmente a ideia de abraçar toda a saga dos Watchmen que fica difícil não imaginar como o projeto se sairia melhor no formato de uma série televisiva de 12 episódios – com a vantagem de que a HBO atrai atores mais competentes.

Por falar em atores, que elenco é esse? Quando uma produção dessa estatura precisa recorrer a um clone de Robert Downey Jr (Jeffrey Dean Morgan, o Comediante), algo vai mal. Em várias das cenas, me peguei com a sensação de assistir a uma versão R-rated de Quarteto fantástico. Filmada por um David Fincher com saudades do discurso agressivo (e contraditório, e confuso) de Clube da luta.

Há quem goste. Aposto que alguém vai acabar comparando com Laranja mecânica. Bom mesmo é saber que Moore, gênio, fez questão de não assinar embaixo.

2 ou 3 parágrafos | Rio congelado

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Cá estamos nós na triste ressaca do Oscar: irrelevante este Rio congelado (5/10, e estou sendo bastante generoso)! Entendo o efeito-Melissa Leo, uma atriz por tantos anos injustamente condenada à função de coadjuvante de luxo – ainda que, no papel de mãe-coragem-à-flor-da-pele-custe-o-que-custar, eu ainda prefira a Sandra Corveloni. Mas uma indicação ao Oscar de melhor roteiro? Verdade?

A trama é, de longe, o que mais me incomoda no filme. Mais, bem mais que a direção de Courtney Hunt, que segue as marcações de um típico drama indie norte-americano ambientado numa cidadezinha gélida abandonada por deus. Tudo me parece extremamente artificial num drama que força a relação de amizade entre a personagem de Leo (um mulher branca, pobre e amargurada) e uma índia envolvida com imigrantes ilegais.

Elas vivem num ambiente exótico na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá. Para transportar os imigrantes, são obrigadas a dirigir sobre uma camada de gelo (um doce para quem adivinhar o que acontece). Pior: ao tentar descongelar os canos da casa, o filho mais velho de Leo quase provoca um incêndio. O menorzinho, coitado, quer ganhar um autorama de presente. E é véspera de Natal! E… Quem levou o Oscar de roteiro original foi Milk, né? Então deixa quieto.

Superoito express (III)

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pains

…E ainda empacado no disco do Bruce Springsteen.

The Pains of Being Pure at Heart | 8 | Como determina a tradição dos (bons) álbuns de estreia, o début deste quarteto nova-iorquino não tem uma única faixa que pareça ter sido escrita às pressas. O bacana é como eles gravam um repertório redondinho (melodias de coração mole em formato shoegazing, com camadas de ruídos que remetem tanto a Jesus & Mary Chain quanto a My Bloody Valentine quanto a Glasvegas) com a secura de uma fita-demo. Que encontramos por acaso no fundo da gaveta, sob teias de aranha, como um segredo bem guardado. Stay alive é obra-prima. Coloque na mesma prateleira de Tigermilk, de Belle & Sebastian, e o primeiro do Vampire Weekend.

200 million thousand | Black Lips | 6.5 | Rock de garagem by the numbers: calculadamente grosseiro, milimetricamente tosco, matematicamente sujo. Questionemos sim (por que não?) a autenticidade do Black Lips (e, até hoje, o quarteto só me convence como uma espécie de paródia de bandas sessentistas incluídas no box set Nuggets, lembram?), mas eles continuam a tratar as influências com um espírito descompromissado e irônico – o que, na pior das hipóteses, arranca risadas (I saw God é o auge da falta de noção); e, na melhor, maltrata melodias que fariam Jack White delirar (Short fuse, Strating over, Let it grow). 

Little hells | Marissa Nadler | 6.5 | Ela não é Joanna Newsom nem nunca será, mas não carece de ambição. O quarto álbum de Marissa Nadler é o equivalente folk para Dance mother, do Telepathe: um disco que soa imprevisível e aventureiro mesmo quando erra feio. Apesar de uma ou outra balada corriqueira (e abrir com Heart paper lover não é uma escolha lá muito acertada), Nadler vai do country mais convencional a flertes com psicodelia e a um crossover com Pink Floyd. A faixa-título tem menos de três minutos e vale o disco inteiro.

Love, hate and then there’s you | The Von Bondies | 6 | Uma espécie de guilty pleasure: apesar de um formato afinado ao pós-punk da geração 2000, o álbum do Von Bondies é uma caricatura ambulante de bandas de rock do início dos anos 90 (um cadinho de Nirvana, um cadinho de brit pop). Um estrago. Mas, para quem viveu a época, um estrago irresistível. Um álbum de 35 minutos tão assumidamente apelativo que te deixa apenas duas opções: vomitar o almoço ou entrar para o fã-clube da banda. Eu estou quaaaaase escolhendo a segunda opção.