2 ou 3 parágrafos | Sua resposta vale um bilhão

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Apesar de adotar uma estrutura semelhante ao livro de Vikas Swarup – a cada pergunta do game show, um novo causo é narrado pelo personagem principal -, Quem quer ser um milionário? é uma adaptação absolutamente infiel às tramas do original. O que é bom, por um lado (o filme dialoga com o livro, acrescenta algumas ideias); e um tanto incômodo (mas compreensível), por outro.

O complicado de engolir é a forma como o roteirista Simon Beaufoy deleta quase tudo o que existe de grotesco ou perverso no livro. O narrativa perturba por  adotar um tom de fábula adolescente para empilhar contos que oscilam entre o pitoresco e o brutal (num dos primeiros capítulos, para ficarmos com um exemplo, um padre curra um menino depois de cheirar uma carreira de cocaína – e isso é só o começo). Em alguns trechos, lembra a franqueza de O rei de Havana, de Pedro Juan Gutierrez. Troque Havana por Mumbai e cá estamos.

Ok, não é tão visceral. No livro (7/10), há muitos dos truquezinhos apelativos que encontramos no filme (e o capítulo final, com surpresas melodramáticas à rodo, é de provocar vergonha alheia). Mas Swarup me parece mais digno do despudor de Bollywood – e da tradição indiana de contar histórias, lendas, fábulas – que o próprio filme de Boyle. E aí esbarramos numa curiosidade até engraçada: a figura do narrador, adaptado a um ambiente de violência a ponto de tratá-lo com bom humor, lembra bastante Cidade de Deus – o livro de Paulo Lins.

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