2 ou 3 parágrafos | Dexter, terceira temporada

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É comum que as séries aparem as próprias arestas lá pela terceira, quarta temporada. Nessa altura, o público já está familiarizado com os personagens e os roteiristas se sentem mais confortáveis (ou mais pressionados, em alguns casos) para tratar os conflitos da trama com um pouco mais de complexidade. De Arquivo X a Gilmore girls, a regra costuma ser essa. Mas não é o que acontece com Dexter, que vai envelhecendo mal.

A terceira temporada (6.5/10) é a mais frágil e desinteressante de todas, ainda que se dedique bravamente a explorar traços de personalidade do protagonista – acima de tudo a relação entre Dexter e o pai (agora transformado num espectro, quase um coadjuvante fantasmagórico). Ele próprio prestes a assumir a condição de papai e chefe de família, nosso herói serial killer vive um conflito introspectivo que a série – ainda sustentada em fórmulas de thriller – não dá conta de mapear (quem sabe na próxima temporada?).

Como se esse drama não fosse suficientemente forte (os roteiristas não acreditaram nele, essa é a verdade), as subtramas acabaram vencendo – o que dá a esta fase da série um tom quase descartável. São as Novas Aventuras de Dexter, apenas. A amizade entre o psicopata e um promotor tã-tã  (Jimmy Smits) e a caça a um assassino que arranca a pele das vítimas dominaram os episódios – talvez por causa dessa narrativa pouco nutritiva, nunca os atores se destacaram tanto. E uma série com Michael C. Hall e Jennifer Carpenter quase não precisa de texto. Quase.

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4 comentários em “2 ou 3 parágrafos | Dexter, terceira temporada

    cavalca disse:
    março 5, 2009 às 3:34 pm

    A grande cagada é transformar o Dexter em ‘ser humano’.

    Tiago Superoito respondido:
    março 5, 2009 às 4:27 pm

    Mas então essa seria uma cagada da série inteira…

    Não vejo problemas em transformá-lo em ser humano e vejo este como o aspecto mais perturbador da história toda. Acho ainda incrível como o Hall consegue compor um personagem ao mesmo tempo horrível e adorável, um homem com um código – o ator fica nessa corda bamba e se sai muito bem.

    Bruno Amato disse:
    março 5, 2009 às 4:34 pm

    “São as Novas Aventuras de Dexter, apenas”

    Meus pensamentos também. Com o personagem que eles tem em mãos, o enredo poderia ser muito mais que “Dexter caça o serial-killer da temporada”.

    “E uma série com Michael C. Hall e Jennfer Carpenter quase não precisa de texto”

    Que bom! Mais alguém reconhece o talento dela.

    cavalca disse:
    março 6, 2009 às 1:43 am

    Mas nas temporadas anteriores os roteiristas não colocavam ele em enrascadas tipo matar o cara que tá assediando os enteados dele. Gerar essa identidicação usando manipulações simplistas é coisa dessa temporada. Ou melhor, começou no final do segundo ano, com ele indo pra França e etc.

    Mataram o espírito do personagem.

    Mas concordo na parte do Hall. Poucos deixariam tão assistível um texto mambembe desses.

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