Beware | Bonnie ‘Prince’ Billy

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bonnieprincecapaTodo álbum de Bonnie ‘Prince’ Billy é imediatamente tratado como o melhor álbum de Bonnie ‘Prince’ Billy. Você também ouviu essa história antes? Então bem-vindos a Beware, um Grande Álbum com uma Grande Banda gravado por um Grande Compositor em Grandes Estúdios, etc.

Admito que me assustei um pouco com a campanha de divulgação do disco. Pela primeira vez, Will Oldham adota uma estratégia que inclui um número expressivo de entrevistas à imprensa e fotos de divulgação. Para um sujeito declaradamente recluso, soa como um avanço. E um sinal de alerta.

Os fãs, de certa forma, estavam preparados para a transformação. Ano passado, Billy lançou Lie down in the light com o aviso de que aquele disco seria uma espécie de “lado suave” de um projeto mais grandioso. De fato, perto das ambições de Beware, o anterior fica parecendo um murmúrio (comovente, claro).

Trata-se do álbum mais ambicioso (e meticulosamente ambicioso) gravado por Oldham, e inclua aí I see a darkness, de 1999. É também o mais arriscado. Os fãs do músico certamente não cobravam um trabalho tão acessível e extrovertido  (a maioria prefere o trovador introspectivo de discos como The letting go e Ease down the road). E os fãs da fase soul de Cat Power… Será que eles estão prontos para o tom sombrio de canções como Death final e There is something I have to say?

Não há como prever. Mas, como Middle cyclone (de Neko Case) e Merriweather Post Pavillion (do Animal Collective), é um daqueles trabalhos que expandem a palheta de cores usada por ídolos indie e perigam cair no gosto do mainstream. Se acontecer, ficarei feliz por Oldham. Não que seja algo importantíssimo, mas o mainstream deve esse reconhecimento a ele.

No mais, o álbum faz algumas das concessões mais elegantes da história do alt.country. A estrutura clássica do disco nunca é negada por Oldham (para cada rompante country há uma balada emotiva), mas o que impressiona é a forma como essa nova estrutura não cai como um pedregulho sobre o lirismo sutil do compositor. Pelo contrário. Oldham conduz com muita segurança uma banda enérgica, talentosa (com flauta, banjo, saxofone, violino, palminhas e coro), além de um time de convidados especiais (a exemplo de Neko Case, lembremos).

Será acusado de ter tomado o caminho mais amplo e fotogênico. Mas não se deve desprezar um disco capaz de evocar tanto o Bob Dylan sereno de Nashville skyline quanto a atmosfera folk transcendental do Van Morrison de Astral weeks. O álbum soa universal assim, mesmo quando excessivamente formal ou previsível (lembra um pouco o rigor de The greatest, de Cat Power).

Com títulos como My life’s work e I am goodbyeBeware serviria até como um belíssimo testamento para Billy – vamos torcer para que, em vez disso, abra uma nova fase (com novos desafios; quem fica parado é poste) para o Grande Compositor.  

Sétimo álbum de Bonnie ‘Prince’ Billy. 13 faixas. Drag City/Palace Music/Domino Records. 8/10

3 comentários em “Beware | Bonnie ‘Prince’ Billy

    sérgio disse:
    março 3, 2009 às 12:04 am

    O álbum já vazou:
    Bonnie ‘Prince’ Billy – Beware (2009) – http://www.baixakimp3s.info/bonnie-%e2%80%98prince%e2%80%99-billy-beware-2009/

    Tiago Superoito respondido:
    março 3, 2009 às 8:13 pm
    Rodrigo disse:
    março 3, 2009 às 10:24 pm

    Tô achando decepcionante até agora, mas queria ler as letras antes de tudo. Você sabe onde eu posso encontrá-las?

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