Dia: fevereiro 22, 2009

E o Oscar vai para…

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Quem quer ser um milionário, né? Compartilho do desânimo daqueles que tiraram o feriadão carnavalesco para se frustrar com o filmezinho de Danny Boyle. Depois de um ano assombrado pelas imagens de uma América no beco sem saída (Onde os fracos não têm vez + Sangue negro = os piores índices de audiência desde 1974), a Academia resolveu apostar numa edição feelgood. Hugh Jackman apresenta. E, se bobear, também canta e sapateia.

Eu espero por uma cerimônia das mais óbvias  (e torço até por uma vitória surpreendente de Benjamin Button, que espantaria o marasmo). Os integrantes da Academia estão dormindo o sono da apatia profunda e não nos resta nada além de ficar resmungando. “Por que não colocaram O lutador entre os melhores filmes, por que O leitor não foi parar na grade do Hallmark Channel, por que Peter Gabriel não se aposenta, tralala”, etc.

Inspirado no post do Sérgio Alpendre, decidi imaginar o meu Oscar 2009 perfeito. Como diria o samba enredo, sonhar não custa nada. A lista (altamente improvável) de vencedores ficou assim:    

Melhor filme

Milk, é lógico. Está longe dos melhores filmes de Gus Van Sant, mas dá uma aula para os outros indicados. Além do que, pensando em termos de espetáculo, a vitória do longa representaria um retrato muito mais interessante da América esperançosa de Barack Obama que uma fábula pop inglesa rodada na Índia. Certo? A menos que a ideia seja valorizar uma renovada política externa. E Oscar é política. Aí já viu.

Melhor diretor

Gus Van Sant. Por Paranoid Park. Tá, não se pode ter tudo. Mas ele nem tem concorrência, no caso. Van Sant é um cineasta. Os outros ainda estão tentando. Quer dizer: o Fincher pode concorrer por Zodíaco?

Melhor ator

Mickey Rourke. Respeito a performance de Sean Penn, mas Rourke corta a própria carne para interpretar… ele mesmo. Ou alguém muito parecido com ele. De qualquer forma, um trabalho extraordinário, à prova dos comentários do Rubens Ewald Filho.

Melhor atriz

Nem vi o filme, mas aposto que Melissa Leo faz bem melhor que as interpretações superestimadas de Kate Winslet (soterrada em maquiagem) e Meryl Streep (que parece ter levado ao pé da letra o papel da freira do quinto dos infernos). Anne Hathaway vai bem, e pelo menos nos lembra que o filme do Jonathan Demme (que não é um pastiche de Festa de família) não merecia ter sido esnobado dessa forma. 

Melhor ator coadjuvante

Adivinha? Até eu, que não estou entre os fãs de O cavaleiro das trevas, ficarei na torcida por Heath Ledger. Por uma questão de justiça, já que a derrota por O segredo de Brokeback Mountain ainda está engasgada aqui. E Michael Shannon, o que fazes aqui?

Melhor atriz coadjuvante

Dúvidas, eu tenho muuuuitas dúvidas. A minha favorita, Marisa Tomei, é a que tem menos chances. Mas, mesmo nesse caso, não é uma grande atuação (já se falarmos em Antes que o diabo saiba que você está morto…). Eu não me espantaria com uma vitória da Viola Davis. Ou da Penélope Cruz, pelos poderes do marketing.

Nas outras categorias, espero que O leitor não leve a melhor fotografia. E que Hellboy 2 seja lembrado de alguma maneira, nem que pela maquiagem. E que as performances das canções indicadas durem menos de um minuto: são todas um saquinho, com ou sem M.I.A.