Frost/Nixon

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Frost/Nixon, 2008. De Ron Howard. Com Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon e Matthew Macfadyen. 122min. 5.5/10

De 2000 a 2008, Ron Howard filmou uma fábula natalina (O Grinch), o perfil de um gênio esquizofrênico (Uma mente brilhante), a Grande Depressão (Cinderella man), um faroeste (Desaparecidas) e um best seller com pano de fundo religioso (O código Da Vinci). Com bastante esforço, talvez será possível encontrar relações entre os longas do cineasta. Mas acredito que ele queira apenas narrar as “boas histórias” – ou aquilo que toma por “boas histórias”.

Howard não será lembrado por nossos netinhos como um bom cineasta, mas sai-se bem como símbolo da eficiência hollywoodiana. Narrar “boas histórias” de forma correta – eis a especialidade do homem. 

E o que faz uma “boa história”, Ron Howard style? Ela contém um conflito sem muita ambiguidade (a filha sequestrada, a miséria que aflige o homem de bem) e personagens carismáticos (o matemático extraordinário, o detetive interpretado por Tom Hanks). Frost/Nixon também é assim: um drama político de forte potencial simbólico adaptado a uma fórmula simplezinha (mas, repito, eficiente) de cinema de entretenimento.

O duelo entre Richard Nixon – o homem público carrancudo, mas dono de uma retórica assombrosa – e o apresentador de tevê David Frost – o zé-mané expert em futilidades, mas adorável de tão ingênuo – é reduzido por Howard a uma luta de telecatch. Mastigadinho, o drama perde os meios-tons quanto mais se adequa às generalizações típicas do cinema de Howard.

Entre os cinco concorrentes ao Oscar de melhor filme (e aí incluo Quem quer ser um milionário?), talvez seja o mais fluente e divertido. A narrativa é acelerada, mas nunca confusa. A inspiração teatral do roteiro se faz muito pouco visível (ainda assim, o roteiro de Peter Morgan, calcado em diálogos velozes, é prato cheio para os atores) e não há um único detalhe que fuja do padrão de qualidade técnico de um seriado transmitido pela HBO.

É um daqueles filmes que faz as pessoas afirmarem coisas como “nem vi o tempo passar!”. Ron Howard sabe trabalhar a arquitetura do entretenimento palatável. Frost/Nixon é todo assim, agradabilíssimo. Cerradas as cortinas, é exatamente com isso que ficamos: dois grandes personagens pelo preço de uma matinê.

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8 comentários em “Frost/Nixon

    Henrique disse:
    fevereiro 17, 2009 às 2:28 pm

    Rola um texto aí sobre o novo sexta-feira 13?

    Abraço

    Tiago Superoito respondido:
    fevereiro 17, 2009 às 3:40 pm

    Sério? hahaha. Ok, aguarde.

    Michel Simões disse:
    fevereiro 17, 2009 às 4:26 pm

    Gostei do filme, melhor q mtos dos concorrentes como Benjamim, Dúvida, Leitor, Revolutionary Road…

    Chico disse:
    fevereiro 19, 2009 às 5:54 pm

    Eu também gostei bastante do filme. Suas críticas não me conveneceram. É um filme bem convencional, mas muito bem realizado. Surpreendente.

    Tiago Superoito respondido:
    fevereiro 19, 2009 às 6:15 pm

    Eu achei medíocre, só isso.

    Chico disse:
    fevereiro 19, 2009 às 7:22 pm

    Eu entendi, mas achei que vc pegou pesado demais… hehe.

    Tiago Superoito respondido:
    fevereiro 19, 2009 às 7:32 pm

    Nem tanto, né, Chico. 5,5 é acima da média.

    Chico disse:
    fevereiro 20, 2009 às 2:27 am

    No meu colégio, a média era 7.

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