March of the Zapotec/Holland EP | Beirut

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beirutcapaAs aventuras de Zach Condon, partes 3 & 4.

E assim aconteceu: depois de dar a volta ao mundo sem sair do próprio quarto, nosso herói do Novo México fez as malas, comprou passagens, carimbou o passaporte, encontrou pessoas e conheceu lugares.

A jornada não chegou ao fim. Mas desconfio que ele descobrirá, como no desfecho de uma fábula para crianças, que as paisagens não transformaram aquele menino das tardes monótonas na cidade de Santa Fé: inseguro, terrivelmente romântico, um tenor embriagado.

Os dois álbuns do Beirut (o projeto global/caseiro de Zach) narram tramas absolutamente diferentes. Ao mesmo tempo, são gêmeos. O primeiro, Gulag orkestar, simula uma orquestra de sopro dos Bálcãs. O segundo, The flying club cup, vai à França dos anos 20. O elo entre esses dois planetas é a performance vocal de Zach: lânguida, quebradiça (e aposto que, para muita gente, insuportavelmente chorosa), ela tem o peso de uma assinatura. 

Os EPs March of the Zapotec e Holland confirmam a impressão de que, neste longo diário de viagem, o narrador observa o mundo com um certo distanciamento. No primeiro, Zach compõe melodias (bem típicas do repertório dele) para uma banda mexicana de marchas fúnebres (resultado de uma viagem a Oaxaca). No segundo, retorna a um projeto de adolescência, o Realpeople, em embarca numa trip eletrônica.

Os projetos poderiam ter servido para demonstrar a versatilidade do músico (e ele também gravava canções de doo wop!), mas fazem o oposto disso: apesar de dividido em duas partes, o disco preserva uma lógica que só pode ser explicada pelo método de composição de Zach. Quem reclama da uniformidade meio monótona das faixas (mesmo quando comparamos uma faixa eletrônica a um lamento mexicano), de certa forma, tem razão. 

As novas experiências podem até modificar a superfície da música do Beirut (e o cristalino Holland parece até um disco de remixes de canções que conhecemos), mas não alteram o método de Zach. A estreia Gulag orkestar (gravada dentro de um quarto) ainda sobrevive como o momento mais criativo do cantor.

O que não deixa de ser curioso: o Beirut não se transforma na mesma velocidade como se movimenta entre culturas estrangeiras. É um processo mais complicado, uma viagem interna, e os EPs não escondem essa dificuldade.

Dois EPs do Beirut. 11 faixas, com produção de Zach Condon. Ba Da Bing Records. March of the Zapotec: 6/10; Holland: 6.5/10.

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4 comentários em “March of the Zapotec/Holland EP | Beirut

    Chico disse:
    janeiro 30, 2009 às 7:33 pm

    Tiago, não vai votar no Alfred, não?

    Tiago Superoito respondido:
    janeiro 30, 2009 às 7:38 pm

    Cara, vou. Vou sim. Assim que der. Não consigo abrir o Excel no meu trabalho e estou numa semana realmente tumultuada (pretendo escrever um post sobre o meu mico do ano, mas nem tenho tempo pra isso).

    Mas voto sim, claro.

    Marcus disse:
    janeiro 31, 2009 às 1:20 am

    Sua resenha ficou muito inspirada. Expôs de forma clara as mudanças do som da banda.

    Eu fique um tanto espantado com o EP eletrônico, mas, agora que li o que você escreveu, percebo as similaridades com o resto do trabalho.

    Tiago Superoito respondido:
    janeiro 31, 2009 às 2:29 pm

    Valeu, Marcus.

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