Lost | Because you left + The lie

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lostquinta

Imagino o desespero de quem tentou começar a acompanhar Lost a partir da quinta temporada. Diante do tsunami de informações que varreu as cenas iniciais da premiere, exibida quarta-feira passada nos Estados Unidos, eu desligaria a tevê nos cinco primeiros minutos, e depois correria para o colo de um episódio de Two and a half men.

Não me surpreendo com a notícia de que a audiência despencou. Não há como fugir da impressão de que o programa passou a dialogar exclusivamente com os fãs. Aposto que os executivos da rede ABC estão matutando para facilitar o trabalho de uma multidão de novatos, mas os criadores da série não parecem muito incomodados com isso. A estreia da nova temporada, Because you left, é um capítulo tão frenético que será revisto inúmeras vezes pelos fãs – e descartado imediatamente pelos não-iniciados.

Chegamos num ponto em que qualquer redundância pode ser fatal. Se o desfecho da temporada anterior transportava a série para o ambiente da fantasia mais desvairada (a ilha se move e desaparece, eis a regra do jogo), este recomeço confirma que Lost só tem a ganhar com os saltos imaginativos.

A série que, lá no começo de tudo, parecia um cruzamento bizarro de Survivor com Arquivo X, hoje engrossa o caldo pop com referências de De volta para o futuro e física quântica. A ilha, descobrimos agora, não apenas sumiu do mapa – ela pula, como um disco arranhado, entre passado, presente e futuro. “Se eu começar a explicar, você não vai conseguir entender”, explica o personagem especialista em física. É o recado dos roteiristas Damon Lindelof e Carlton Cuse: ao espectador, resta embarcar na viagem insólita – ou tomar outro avião.

Sem priorizar os recursos de flashbacks ou flash-fowards (já que a meta agora é fisgar a atenção do público aceleradamente), os dois primeiros episódios alternam duas tramas igualmente intensas: na ilha, os sobreviventes se deslocam no tempo a cada clarão; fora dela, os Oceanic 6 tentam retornar à ilha para resgatar os abandonados. Seria uma questão de simples solução, mas (e taí outra questão que deve mover a temporada) nem todos querem voltar.

Cada vez menos apegada ao sentimentalismo rasteiro, e mais dedicada à ação pura e simples, a série promete crescer muito se mantiver o ritmo desses dois primeiros episódios. The lie, o segundo, segue o formato de um típico capítulo da quarta temporada (com a revelação em doses homeopáticas de elementos que serão essenciais para compor o desfecho da trama). Mas é na taquicardia de Because you left que Lost vai ao paraíso: como nenhuma outra série, esta leva em conta as vantagens de uma época em que podemos ver e rever cenas quantas vezes quisermos (no YouTube, via DIVX etc). Confia que o público será capaz de juntar as peças do quebra-cabeças por conta própria.

Claro que nem todo mundo está disposto à brincadeira: mas, para aqueles fãs que criam novas teorias sobre o enigma a cada episódio, é um tipo de passatempo provocativo que ainda se mantém um passo a frente do espectador. Há programas mais complexos e sofisticados – mas desconfio que Lost mereça ser tratado de outra forma, como um outro tipo de entretenimento: é uma série, mas também um jogo. E esta nova partida, tomara, será para experts. 

Episódios: Because you left (Damon Lindelof e Carlon Cuse, 8), The lie (Edward Kitsis e Adam Horowitz, 7.5).

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10 comentários em “Lost | Because you left + The lie

    Daniel Pilon disse:
    janeiro 26, 2009 às 11:10 am

    Because You Left já é um de meus preferidos da série. O negócio é muito mindfuck e eu gosto disso, hehe.

    Bruno Amato disse:
    janeiro 26, 2009 às 12:32 pm

    Após ver os dois eps um atrás do outro sem interrupções: fiquei com dor de cabeça – foi informação demais pra minha cabeça.

    Tiago respondido:
    janeiro 26, 2009 às 12:38 pm

    Mindfuck é a palavra, hehe.

    Diego disse:
    janeiro 26, 2009 às 1:44 pm

    Se não me engano, os próprios produtores já usaram “jogo” pra se referir à experiência que queriam criar.

    Com os ARGs e todos os produtos do “universo expandido” da série, dá pra dizer que já conseguiram.

    Bruno Amato disse:
    janeiro 27, 2009 às 10:55 am

    Até que enfim viu Mad Men! O piloto é ótimo, mas tá longe de ser o melhor episódio da série. Pelo que me lembro, o terceiro é excepcional. Tentei acompanhar a série pela TV mas a HBO fez o favor de começar a exibir os episódios fora de ordem e desisti. Essa semana vou rever pela web mesmo.

    Agora só falta convencer vc a conferir – o que? The Wire, Sopranos…

    Tiago Superoito respondido:
    janeiro 27, 2009 às 3:02 pm

    É muito bom, Bruno. Já baixei quase toda a primeira temporada depois disso, hehe. Sopranos vi a primeira temporada e gostei muito, mas depois acabei abandonando… The Wire é a próxima.

    Rodrigo disse:
    janeiro 27, 2009 às 7:23 pm

    Eu também gostei demais desses episódios de Lost, acho uma maravilha como ela não parece ter medo nenhum de mudar sua estrutura, mas ainda assim mantendo o interesse do espectador (ao menos o meu, haha). É uma série singular.

    E o piloto do Mad Men eu achei um tanto decepcionante, mas depois a série cresce muito mesmo. Tô no quinto episódio ainda e é impressionante como cada um é melhor que o outro. :D

    Tiago Superoito respondido:
    janeiro 27, 2009 às 9:01 pm

    Sim, isso é verdade. A estrutura foi novamente alterada, mas não sei até que ponto (temos que esperar mais dois ou três episódios pra confirmar isso).

    Bruno Amato disse:
    janeiro 28, 2009 às 10:37 am

    Rodrigo, acho que o piloto de Mad Men só seria decepcionante pra alguém que esperasse MUITO da série devido ao hype. Eu revi o piloto ontem a noite (e pretendo continuar vendo os demais) e nossa, ele cresceu bastante. Tem uma cena, aquela na qual o Don Draper salva a reunião com a fábrica de cigarros no último minuto, que fica ainda mais fantástica depois que vc sabe os segredos do passado do personagem. Que p… ator!

    Rodrigo disse:
    janeiro 28, 2009 às 9:26 pm

    Eu tava esperando bastante (mas não MUITO, hehe), mas é que foi algo um pouco diferente do que eu esperava, então acabei sendo pego de surpresa, hehe (mas eu acho o episódio bem bom, não vejo nada de errado com ele). O Hamn tá muito bem mesmo.

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