Superoito express (I)

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Eu estou com pressa e talvez você também esteja. Então aí vão alguns comentários acelerados para disquinhos que andei ouvindo nessas últimas semanas (e que, num mundo perfeito e com mais dias de folga, renderiam textos bem maiores). Sem brincadeira: tenho apenas 15 minutos para escrever este post – por isso mesmo, dê um desconto para o tio aqui e pegue leve nos comentários, ok? 

Hush | Asobi Seksu | 7 |  Segue rigorosamente e preguiçosamente a cartilha do dream pop (e, ao contrário da estreia do duo, este disco dedica-se mais à construção de melodias assobiáveis que a trabalhar cuidadosamente atmosfera das canções). Mas, como exercício de gênero, é quase perfeito – e faixas como Glacially, minha favorita, e In the sky podem sim expandir o público da banda.  Os agudos de Yuki Chikudate ainda provocam arrepios – para o bem e para o mal.

Blood bank EP | Bon Iver | 7 | O grande teste de Bon Iver será sobreviver ao mito de “homem das cavernas” que criou para si em For Emma, forever ago. O EP Blood bank é o primeiro passo: ainda esparso, o som do compositor aos poucos desce da montanha para habitar o mundo real – nesse processo, a faixa-título (os versos poderiam ser diálogos de um filme de amor de David Gordon Green) e a primaveril Babys apontam para uma fase menos desiludida, e não menos comovente. 

Welcome to the Welcome Wagon | The Welcome Wagon | 6.5 | Sufjan Stevens se encanta com as composições religosas que um casal escreve para os cultos de uma igreja presbiteriana de Nova York, os convida para uma temporada de gravação e, no papel de co-piloto do álbum, floreia as canções com os detalhes (e o banjo!) que encontramos em discos como Chicago e The avalanche. Nenhuma outra pregação gospel soará tão doce – e, ainda que quase tudo pareça lado B de Stevens, American legion emociona até os mais céticos.

Changing horses | Ben Kweller | 6 | Mais que um simples “projeto country”, o disco acaba destacando o que já sabíamos: Kweller é um compositor conservador por natureza (e tudo o que ele quer da vida é dividir um álbum de bluegrass com o Jack White). Não move montanhas, mas manipula com competência e emoção os chavões do gênero (em Gypsy road e Hurtin’ you, por exemplo).

Ray guns are not just the future | The Bird and The Bee | 6 | No segundo álbum, o duo de Los Angeles continua a se aproximar perigosamente do pop fofo e estéril que se ouve em comercial de sabonete – mas, para nossa sorte, ainda não chegaram lá. O álbum abre com uma referência assustadoramente cristalina a Alegria, alegria, de Caetano Veloso. Mas a inspiração de tropicália fica aí: as faixas seguintes se acomodariam muito bem num álbum antigo do Cardigans.

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2 comentários em “Superoito express (I)

    Daniel Pilon disse:
    janeiro 21, 2009 às 1:05 am

    A voz da Yuki é uma delícia, mas prefiro bem mais o anterior do Asobi. Bateu uma pequena decepção com esse, mesmo sendo bom.

    E agora tá vendo True Blood? A primeira temporada foi bem legal.

    Tiago Superoito respondido:
    janeiro 21, 2009 às 1:26 am

    Pois é, Pilon, tô acompanhando na HBO.

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