Sparrow

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Man jeuk, 2008. De Johnnie To. Com Simon Yam, Kelly Lin, Lam Ka Tung, Lo Hoi Pang. 87min. 8.5/10

Uma dica preciosa do Filipe. Como ele, também acredito que a Mostra de SP e o Festival do Rio de 2008 só teriam crescido com a inclusão do belo filme que Johnnie To dirigiu enquanto fazia coisas mais importantes.

Aconteceu assim: num período de três anos, nos intervalos de filmagens e com uma equipe fiel de atores, Johnnie rodou uma legítima obra em progresso, alterada livremente sempre que aparecia uma ideia mais interessante.

Sparrow foi concluído para atender o convite do Festival de Berlim. Caso contrário, teria seguido incompleto até sabe-se lá quando. O saldo da experiência é um filme-hobby, um passeio pelas ruas de Hong Kong, uma valsinha de 1h20 de duração: cinema em dia de folga.

A liberdade do processo permite a Johnnie mudanças de tom que podem confundir quem o conhecia de filmes doloridos como Eleição e Exilados, ainda que volte a representar os laços de companheirismo criado num grupo de personagens masculinos (batedores de carteira).  

Mas as diferenças são todas superficiais. Sparrow flutua, ainda que  não tenha nada de despreocupado, de desleixado. Cada quadro é composto com detalhismo (e o uso de cores é deslumbrante). A trilha sonora ilustra as situações e os sentimentos dos personagens – o que faz desse um musical mais profundo que qualquer exemplar hollywoodiano recente do gênero (e o aproxima do cinema de Wong Kar-wai). E Hong Kong, como Filipe bem observou, dança em primeiro plano. 

O clímax, um balé de guarda-chuvas, parece existir numa fronteira absurda entre os duelos trágicos de John Woo e a delicadeza de Jacques Demy (que o cineasta homenageia assumidamente). Juro que revi a sequência quatro vezes antes de me dar por satisfeito. 

Aposto que aparecerão críticas sobre uma suposta frivolidade da trama. Não é por aí. A todo momento, Johnnie alivia o peso do roteiro a favor de uma atmosfera sensual, lírica – na cena final, ele deixa muito claro que narrou apenas mais uma aventura na vida do quarteto de amigos.  

Taí um filme que muita gente verá como uma espécie de refresco, uma curiosidade agradável, um intervalo entre os lançamentos “relevantes”. E que retornará alguns meses mais tarde, quando essas mesmas pessoas tentarem recordar as sessões mais prazerosas do ano.

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Um comentário em “Sparrow

    Filipe Furtado disse:
    janeiro 9, 2009 às 7:10 pm

    O clímax é mesmo incrível, também vi varias vezes.

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