O dia em que a Terra parou

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The day the Earth stood still, 2008. De Scott Derrickson. Com Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates e John Cleese. 103min. 4/10

O filme é um estalinho, uma besteira, mas taí o papel da vida de Keanu Reeves: Klaatu, o alienígena apático, incapaz de expressar sentimentos, vestido num terno-e-gravata impessoal, uma versão desnutrida do exterminador do futuro, um homem-de-preto com paralisia facial. Desconfio que ninguém defenderia esse personagem com tanto gosto.

Reeves mata a pau, rouba cenas, dá um olé na Jennifer Connelly. Já o filme… Não sei se Scott Derrickson (de O exorcismo de Emily Rose) é um piadista, mas deve haver alguma gozação embutida na escolha de John Cleese para viver um acadêmico respeitadíssimo. E como avaliar a ideia estranhíssima de preservar – em todos os detalhes kitsch – o robô grandalhão que ilustra o cartaz do filme original, de 1951?

Entre tantas homenagens oportunistas que nos fazem engolir, esta está mais para Invasores (aquele objeto oco com Nicole Kidman) que para o King Kong de Peter Jackson (que pelo menos demonstra algum interesse e carinho pelo original).

Scott Derrickson desloca a premissa de 1951 para o século 21 (sai Guerra Fria, entra a preocupação com o meio ambiente), mas, no meio do caminho, consegue – e sei lá como! – transformar o apocalipse num teatrinho infantil, inocente, indolor. Não se salva nem como filme B. É só dispensável, mecânico, sem charme.

Mas, para quem preferir, trata-se de uma comédia com duas ou três boas gags e algumas frases de efeito inacreditáveis. Imagine aí Keanu Reeves pronunciando algo como “eu sou amigo da Terra”. Cinco horas depois do término da sessão, ainda estou achando graça.

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7 comentários em “O dia em que a Terra parou

    Guto disse:
    janeiro 7, 2009 às 7:55 pm

    Finalmente alguém que entenda de filmes…

    Tiago respondido:
    janeiro 7, 2009 às 7:57 pm

    É ironia? hahaha

    Diego disse:
    janeiro 7, 2009 às 10:09 pm

    “consegue transformar o apocalipse num teatrinho infantil, inocente, indolor.”

    Justamente o que não acontece com Guerra dos Mundos, do Spielberg, bem mais interessante nesse e em qualquer outro aspecto.

    Bruno Amato disse:
    janeiro 8, 2009 às 12:13 am

    “dá um olé na Jennifer Connelly”

    AGORA vc me deu vontade de ver o filme. Keanu Reeves, o melhor não-ator do mundo.

    Tiago respondido:
    janeiro 8, 2009 às 12:26 am

    Mas aí é covardia, né, Diego. Claro que Guerra dos mundos é mais interessante que isso aí.

    Bruno, pois é: só vai ficar melhor quando o Keanu finalmente interpretar uma porta.

    Diego disse:
    janeiro 8, 2009 às 1:15 am

    Rá, fiz você falar positivamente de Guerra dos Mundos.
    OWNED.

    Tiago respondido:
    janeiro 8, 2009 às 9:37 am

    Só assim, né.

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