Crepúsculo

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Twilight, 2008. De Catherine Hardwicke. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke e Ashley Greene. 122min. 4/10

Britney Spears, emocore, Lindsay Lohan, porntape, twitter, Gossip Girl: deve ser muito, muito complicado ter 15 anos de idade em 2008.

Daí que entendo perfeitamente por que tanta menininha está caída por Crepúsculo – o livro, o filme, a trilha sonora (tem Paramore!) e a marca de perfume. A protagonista, Bella, também se sente deslocada neste mundo cruel que a subestima, emburrece e, mais importante, não a compreende.

E válvulas de escape para a frustração adolescente sempre adotaram táticas mais ou menos sujas, né? Álbuns de heavy metal, livros de Stephen King, super-heróis atormentados e vampiros, sempre, muitos, sedentos, irresistíveis, os outsiders por excelência.

Três marcos da minha estranha juventude: Cláudia Ohana com dentes afiados e olheiras profundas, Winona Ryder toda lânguida em Drácula de Bram Stoker e Garotos perdidos.

Por isso sei do apelo de Crepúsculo. Já estive lá. Que garotinha inocente nunca desejou se apaixonar terrivelmente por um vampiro topetudo, obviamente metrossexual, empapado em pó-de-arroz e com aquela aparência blasé de me-sinto-bem-mais-velho-que-vocês? Que garotinho inocente nunca torceu para acordar com o visual de um integrante de banda de rock gótico?

É tudo tão simples! Perdoo o descontrole da menina da poltrona ao lado, que, durante a sessão do filme, não parava de elogiar para as amigas a suposta beleza incomparável e hipnótica de um ator que parece atado a uma máscara de pierrot. 

A tendência é que, em dez anos, Crepúsculo seja encarado por esse público como uma lembrança tola. Já que, como filme de horror ou como filme de amor (e quase toda história de vampiros tem um pouco dos dois elementos), trata-se de um brinquedinho medíocre. Desculpa aí, meninada, mas o negócio aqui é de arrepiar o cérebro.

Até tentei encontrar alguma graça neste Romeu e Julieta from hell, mas essa tal de Catherine Hardwicke é osso duríssimo de roer. Se Aos treze era uma estocada de grosseria, aqui ela consegue conceber as cenas de suspense mais desengonçadas e toscas da temporada, sempre recorrendo a um fumacê medonho para evocar tensão. E há as florestas sombrias. Sempre as florestas, sempre sombrias.

Isto aqui pode ser encarado como tipo bastante inofensivo de filme B. Mas o complicado mesmo, pelo menos para mim, foi suportar a companhia da personagem principal, uma heroína entediada e aborrecida, encantada por um morto-vivo tão expressivo quanto uma lápide. Eles se merecem.

Mas ok, tá certo, esta nunca foi uma fase fácil da vida.

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