20 melhores filmes de 2008 (Parte I)

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…E eu reclamando da dificuldade de montar uma lista de melhores álbuns do ano.

No fim de uma escalação complicadíssima, nada menos que 15 ótimos concorrentes ficaram no banco, a ver navios, excluídos (infelizmente) desta lista de melhores filmes de 2008. Não me peçam para fazer isso de novo (pelo menos não até o fim do ano que vem, por favor).

Primeiro, as regras da partida: só entram no top aqueles que estrearam no circuito de exibição brasileiro durante o ano. Isso significa que muitos dos meus favoritos da Mostra de São Paulo e do Festival Internacional de Cinema de Brasília (FicBrasília) ficaram de fora. Os outsiders ganham uma listinha à parte, que vocês lêem amanhã (não se pode ter tudo de uma vez só, ok?).

Antes dos melhores (e antes que eu finalmente concorde com a idéia de que esse tipo de balaio de gatos é mesmo uma sandice), fiquemos com a raspa da panela. Os cinco piores de 2008:

1. Um crime americano – Tommy O’Haver
2. Max Payne – John Moore
3. Antes de partir – Rob Reiner
4. Noites de tormenta – George C. Wolfe
5. A guerra dos Rocha – Jorge Fernando

(Se bem que Espartalhões consegue ser mais insuportável que todos esses, mas prefiro não lembrar). Sem mais:

ultimaamante

20. A última amante – Catherine Breillat

Catherine Breillat e Asia Argento numa bela lição sobre como sabotar as convenções de um romance de época. Pena que muitos críticos tenham preferido discutir a ausência de cenas de sexo explícito numa fase supostamente recatada da cineasta. É um filme ousado, que olha para a frente – mas não da forma escandalosa como esperávamos.

nomeproprio

19. Nome próprio – Murilo Salles

Talvez com mais erros que acertos, Murilo Salles abre o diário desesperado (e desengonçado) de Clarah Averbuck como quem salta do precipício: a disposição de explorar um ambiente que desconhece faz do longa uma rara  investigação sobre os mistérios da juventude. Como Averbuck, é um filme-impasse, à procura de uma identidade. 

shortbus

18. Shortbus – John Cameron Mitchell

Com esta comédia romântica de sexo explícito, Mitchell criou um Annie Hall para os inferninhos. A provocação pode parecer superficial, mas o que se esconde sob o choque é uma galeria de personagens que lidam com a paixão de forma mais calorosa, alegre e plausível que todas as castas encarnações de Meg Ryan.

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17. Hellboy II: O exército dourado – Guillermo del Toro

Funciona menos como uma seqüência de Hellboy e mais como uma continuação para as obsessões de Guillermo del Toro, o cineasta que amava os monstros. Uma doce história de amor, uma coleção de brinquedos coloridos, um épico para fãs de RPG – e, por fim, o melhor filme de super-herói do ano.

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16. Canções de amor – Christophe Honoré  

Como uma canção pop que não se entrega de imediato, o musical de Honoré só me conquistou numa segunda audição. Aí me rendi à beleza escondida numa peça aparentemente trivial – algo exatamente igual às minhas primeiras experiências com Belle and Sebastian. E tem a leveza de um assobio.

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15. Sangue negro – Paul Thomas Anderson

Ainda que eu não seja o maior defensor do épico de Anderson (ops: prefiro as questões existenciais do protagonista de Embriagado de amor), também fui soterrado pela impressionante ambição de um filme que encena  Os Conflitos da América com a crueza e a clareza de um diagnóstico médico. Eu não veria novamente. Não é que acabei vendo?

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14. Senhores do crime – David Cronenberg

De um filme de Cronenberg, melhor não esperar por um relato realista das tramóias da máfia russa. Sem estribeiras, o cineasta toma o factóide para compor um conto de fadas em torno de loucas disputas de poder. Brinde: uma inacreditável, hilariante seqüência de pancadaria num banheiro público. 

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13. 4 meses, 3 semanas e 2 dias – Cristian Mungiu    

A história recente da Romênia pela janela lateral: a partir de um drama universal, e sempre grudado nas personagens, o cineasta permite que o espectador identifique uma atmosfera de constante opressão. Um ensaio até bem simples sobre o pânico, mas intenso e assustador.

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12. Encarnação do demônio – José Mojica Marins 

Solto novamente nas ruas, Zé do Caixão encontra um país estranho, brutalizado, sob o domínio do mal. Importante notar que o cinema de Mojica também mudou: auto-referencial e com um sorriso de gozação, ele só ganha ao tratar o personagem como um símbolo, uma grife da cultura pop brasileira. O clímax não poderia ter sido filmado em outro lugar que não num parque de diversão. 

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11. O nevoeiro – Frank Darabont

M. Night Shyamalan viu o fim dos tempos, mas Frank Darabont notou o apocalipse da civilização por uma lente ainda mais cruel. Um pequeno filme B com os ruídos e a fúria de uma tragédia grega. E, claro, um desfecho que ainda tenho medo de enfrentar no meu pior pesadelo. O horror.

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