Marley e eu

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marley

Marley & me, 2008. De David Frankel. Com Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane e Kathleen Turner. 110min. 5/10

Marley e eu conta a história de um jornalista que escreve um livro sobre um cachorro e fica milionário.

Tá, minto, não é tão interessante assim: Marley e eu, o filme-do-Natal, conta a história de um jornalista que adota um labrador, tem filhos,  muda de emprego e compra uma casa nova. E aí labrador… bem, não vou estragar a surpresa.

Não é sempre que encontramos uma produção ao mesmo tempo extremamente comercial e tão disposta a narrar as banalidades do cotidiano. Não li o livro, mas existe algo atípico num lançamento hollywoodiano conduzido por um cachorro burro e desengonçado, quase igual aos outros – sem traços humanos, sem superpoderes, sem frescurinhas de desenho animado. 

Talvez essa mudança de perspectiva explique – pelo menos em parte, vá saber – o sucesso do livro autobiográfico de John Grogan. “O importante é narrar suas experiências, sua vida”, aconselha o chefe de redação, numa cena do filme. Na maior parte dos 13 anos de convívio com Marley, John escreve uma coluna de jornal sobre situações do dia-a-dia. O filme tenta recuperar essa atmosfera de crônica, de conversa informal.

Mas, para uma narrativa tão próxima dos personagens, soa como uma grosseria a forma como ela descreve o ambiente familiar dos Grogan. Parece conto de fadas. Taí um casal que não discute nem quando divide a cama para assistir a programas de tevê. Nas conversas, se expressam como crianças pequenas. E são jornalistas razoavelmente respeitados! O personagem mais plausível da trama é o próprio Marley, que pelo menos suja as patas quando sai para o jardim.

O que o roteiro de Don Roos (O oposto do sexo) e Scott Frank (Minority report) faz é sugerir imagens tão conservadoras quanto os desejos dos personagens – que se contentam com uma vida à comercial de margarina (ou, no caso, à mershandising de ração). A meia hora final, uma patada de sentimentalismo, é quase insuportável. Até eu, que trato o meu labrador como se fosse meu primo, não me deixei levar pela chantagem.

“Quanto mais conheço o homem, mais eu gosto do meu cão”, cantava Ataulfo Alves. Neste filme aqui, o cão parece mais vivo que os homens.

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6 comentários em “Marley e eu

    Diego disse:
    dezembro 20, 2008 às 4:15 pm

    Eu juro que nunca vi tanto jornalista chorando em uma cabine.

    Não sei se pelo cachorro. Talvez pelo fato do protagonista comer a Jennifer Aniston e virar colunista de sucesso escrevendo o que qualquer um escreve em blogs hoje.

    Tiago respondido:
    dezembro 20, 2008 às 6:09 pm

    Deve ter sido pelo cachorro. Coitado.

    Diego disse:
    dezembro 21, 2008 às 1:24 am

    Mas o cachorro é adorável mesmo.

    Tiago respondido:
    dezembro 21, 2008 às 1:43 am

    Prefiro o Simba.

    Henrique disse:
    dezembro 22, 2008 às 7:14 pm

    Eu gosto do livro. Vou gostar do filme. E vou chorar que nem os jornalistas da sessão do Diego.

    Sou normal ?

    Tiago respondido:
    dezembro 22, 2008 às 7:22 pm

    Jornalistas são normais?

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