Rede de mentiras

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bodylies

Body of lies, 2008. De Ridley Scott. Com Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong e Golshifteh Farahani. 128min. 4/10

Existe uma idéia nos primeiros dez ou quinze minutos de Rede de mentiras, mas o restante do filme é tão desajeitado que logo nos esquecemos dela.

De qualquer forma, é uma tese assim: há um descompasso tecnológico que emperra a caça a terroristas. Enquanto os ocidentais se deixam maravilhar e dominar por novíssimos aparelhos de comunicação e espionagem, os candidatos a homens-bomba trocam instruções de forma rudimentar, ultrapassada.

O filme lança a questão que vai além do debate sobre política internacional: até que ponto a tecnologia se faz indispensável em nossas vidas? Nos primeiros 60 ou 70 minutos da trama, os dois personagens principais (agentes secretos da CIA) contracenam à distância, via telefone celular. Mais adiante, um desses heróis (Leonardo DiCaprio)  inventa uma organização terrorista via computador.

O roteiro de William Monahan (Os infiltrados) joga com nossas contradições: o império da tecnologia não decifra nem vence o horror feito à mão. Seria interessante se essa premissa caísse no colo de um cineasta capaz de olhar o mundo de uma forma pouco pragmática. Isto é: o problema se chama Ridley Scott.

Scott , um técnico competente (mas aborrecido), empacota esse roteiro com a coloração azulada e acinzentada de um thriller de Paul Greengrass. O personagem de DiCaprio, que parecia perdido no tiroteio de informações, aos poucos se acomoda na função do herói duro-na-queda, imbatível. Um James Bond da era Daniel Craig. E Russell Crowe, ótimo porém subaproveitado, representa a burocracia engravatada, distante do “mundo real”.

A dupla enfrenta capangas do Oriente Médio que poderiam estar num filme do Indiana Jones. Será que os americanos ainda compram essa versão monocromática da história?

O mais curioso, aqui, é que o próprio filme se deixa engolir pela tecnologia. É como se um computadorzinho sabichão tivesse hipnotizado Ridley Scott. “Clique aqui para fazer um thriller de espionagem versão 1.0”, a máquina ordena. E ele obedece.

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