Little Joy | Little Joy

Postado em Atualizado em

A melhor definição para o projeto de Rodrigo Amarante (Los Hermanos) com Fabrizio Moretti (Strokes) é o nome da banda: uma alegriazinha.

Quando o trio (formado ainda por Binki Shapiro) decidiu se batizar com o nome de um bar de Los Angeles, acertou em cheio: mesmo que não queira, parece ostentar um certo orgulho de ser pequeno. De uma banda chamada Little Joy, não esperamos muito além de leveza e despretensão – e cá estamos num típico resort para artistas pop em férias.

Mas não é só isso. Se é esse o formato escolhido (indie, desencanado, sem ambições de faturar alto na bilheteria ou de “começar de novo”), então Little Joy supera expectativas. É quase uma pequena grande banda (e acredito que esse é o maior elogio desejado por eles), que parece ter nascido do pacto de desenhar uma ponte aérea musical entre Rio e Los Angeles. Nem lá nem cá, a banda se move num pop global que, com influências tanto de reggae quanto de standards norte-americanos, combina com o paladar de um Vampire Weekend, de um Ra Ra Riot. 

Como nos projetos de Albert Hammond Jr e de Marcelo Camelo, dá para notar o rescaldo das bandas-matrizes. Evaporar, a única em português, tem a atmosfera mansa de 4, do Los Hermanos (e, sutil, é uma bela surpresa para confundir quem esperava de Amarante algo muito diferente do Camelo solo). Já Keep me in mind lembra a estrutura de uma canção do Strokes, com guitarras tão nervosinhas quanto econômicas (e o curioso aí é como Amarante sobrepõe uma típica melodia do Los Hermanos a essa marca registrada).

Sem negar o passado (nem o deles, nem o da música pop), o Little Joy usa peças conhecidas para formar um painel particular. O clima vintage que paira sobre a gravação é ainda mais pesado que o do primeiro álbum do Strokes, com o cuidado de não agigantar os arranjos e as interpretações das canções. É essa obsessão minimalista que ressalta os detalhes de cada faixa: como os sopros em Brand new start, com cara de single, ou o corinho na abertura de Play the part.

Novato precavido, o Little Joy não dá grandes saltos (e, como band leader lânguido, com um inglês impecável, Amarante vai longe especialmente na ótima Shoulder to shoulder). O que ainda não tem – e talvez nem queira ter – é uma marca capaz de espantar de vez a impressão de que estamos ouvindo apenas um divertido brainstorming entre amigos famosos. Um prazerzinho dos bons – mas que, por enquanto, não provoca frio na barriga.

Primeiro álbum do Little Joy. 11 faixas, com produção de Noah Georgeson. Rough Trade. **

Anúncios

7 comentários em “Little Joy | Little Joy

    Fred disse:
    novembro 3, 2008 às 9:17 pm

    Com a diferença de que Strokes ficou chato e mais estúpido no último álbum…
    Enquanto essa mistura aí deu super certo. E parece ser só pra se divertir.
    De qualquer forma, acho bem mais prazeroso que o álbum do Camelo. Talvez porque seja de digestão mais fácil, sei lá.
    Mas tá boa à beça a resenha.

    feliperezende disse:
    novembro 3, 2008 às 10:34 pm

    Achei chaaato. Comecei a ouvir pela segunda vez, mas nem tive saco.

    Sou mais o do Camelo (sim, eu sou desses idiotas que fazem comparações).

    Tiago respondido:
    novembro 4, 2008 às 1:22 am

    Se é pra fazer comparação… O Little Joy é um projeto paralelo bem acertado. Já o do Camelo é um auto-retrato sem filtros – e isso me interessa mais.

    Tiago respondido:
    novembro 4, 2008 às 1:22 am

    Fred, concordo, também acho de digestão mais fácil.

    Luh disse:
    novembro 4, 2008 às 3:38 pm

    É um ótimo álbum. Ouço sem parar!

    Reg disse:
    novembro 5, 2008 às 1:30 pm

    Pô gostei…achei legal o album….nada fora do comum…nada ruim….é legal

    Eduardo disse:
    dezembro 12, 2008 às 1:13 pm

    Acho que Fred foi muito feliz quando falou que o Little Joy CD 01 era de digestão mais fácil. Concordo sim. A princípio, não tem como comparar o trabalho dos dois. Achei coisas distintas, mas apreciei mais o Little joy a Sou/nóS. Isso muito a princípio.

    Agora, vocês perceberam um tom de desculpas e, ao mesmo tempo, findando uma futura reconciliação dos Hermanos em algumas das letras desse CD, ou eu que viagei demais e, por força dos acontecimentos atrelei as letras a isso?

    Abraços.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s