Dia: outubro 30, 2008

Drops de FicBrasília

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* O Festival Internacional de Cinema de Brasília (FicBrasília) chega ao décimo ano com uma edição que traz a Brasília alguns filmes importantes das mostras do Rio e de São Paulo – muitos deles com distribuição garantida no Brasil. Pode parecer pouco, mas não é.

* Por aqui veremos Ballast, de Lance Hammer, Liverpool, de Lisandro Alonso, Acne, de Federico Veiroj, O canto dos pássaros, de Albert Serra, Cinzas do passado – Redux, de Wong Kar-wai, Um conto de Natal, de Arnaud Desplechin, Derek, de Isaac Julien, Filth and wisdom, da Madonna, A fronteira da alvorada, de Philippe Garrel, Sob controle, de Jennifer Lynch.

* Mais: Leonera, de Pablo Trapero, Night and day, de Hong Sang-soo, Ninho vazio, de Daniel Burman, Nucingen Haus, de Raoul Ruiz, La rabia, de Albertina Carri, O silêncio de Lorna, de Jean-Pierre e Luc Dardenne, Sinédoque, Nova York, de Charlie Kaufman, Terra vermelha, de Marco Bechis, The wackness, de Jonathan Levine, Youth without youth, de Francis Ford Coppola.

* E os brasileiros que concorrem ao Prêmio Itamaraty: Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte, Feliz Natal, de Selton Mello, A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele, Juventude, de Domingos Oliveira.

* Tem também uma retrospectiva dedicada a Paulo José e uma seleção de japoneses (entre eles, Sad vacation, de Shinji Aoyama, e Glória ao cineasta, de Takeshi Kitano).

* Isto é: entre os 130 filmes, há filmes. Se essa programação enxuta não chega a destacar o festival no cenário nacional, ela tem uma importância tremenda para os cinéfilos da cidade – eles terão a vantagem de assistir aos longas sem as filas quilométricas de São Paulo, por exemplo (e cá estou eu tentando ver o lado positivo das coisas), e com ingressos a R$ 12.

* Pois bem: o FicBrasília começou ontem com uma sessão de “traje passeio completo” apresentada por Maria Paula e Murilo Grossi, com homenagem a Paulo José e um curta-metragem de animação (Pajerama, de Leonardo Cadaval).

* O Academia Hall, uma sala de espetáculos de quase três mil lugares, ficou lotada para a pré-estréia de Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen. Na sessão, pairou um climão de festa de cidade do interior, com crianças correndo pelos corredores, falatório incessante do público, gente sentada no chão e uma cortina que não parava fechada.

* Um sucesso, podemos dizer.

* No coquetel, serviram salgadinho frio, cerveja e fanta laranja. Os sushis evaporaram em cinco minutos. Ninguém reconhecia as celebridades locais que posavam para os flashes. Mas pelo menos foi autêntico: Brasília é, como sabemos, uma grande cidade pequena. 

* Foi uma sessão, como nas salas de multiplex, tomada por casais. Homens engravatados e mulheres de longo. O filme? Elas adoraram secretamente; os namorados morreram de raiva. Vale um parágrafo só dele.

* Vicky Cristina Barcelona | Woody Allen | **

Acompanhado de um narrador/guia turístico onipresente e quase entediado, nosso cético favorito viaja à Espanha para filmar o prazer (como tudo na vida, segundo ele, um mero sentimento passageiro a ser aproveitado antes que o tempo nos leve). É, de verdade, o filme mais saboroso de Allen desde Match point, mas o tom libertário desta crônica de viagem não chega a provocar arrepios – é amenizado pela frieza como o cineasta organiza as peças da narrativa: os personagens são cartas marcadas (todos os espanhóis da trama são ou alegremente instintivos ou pirados) e as paisagens (e os belos planos de rostos de mulheres) acabam esculpidas com a beleza fácil dos panfletos publicitários. De qualquer forma, me agrada a forma com que o cineasta segue vendendo um olhar de mundo muito duro (e particular) como divertimento.

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