We are beautiful, we are doomed | Los Campesinos!

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Gravado em onze dias, lançado apenas oito meses depois do álbum de estréia e empacotado em 32 minutos de duração: We are beautiful, we are doomed é polaróide fresca. Fica parecendo até um experimento – concebido a partir da hipótese de que, para o Los Campesions, a espontaneidade vale mais que mil firulas de estúdio.

Mas vale?

Obra sem acabamento, tosca for fashion, o álbum nos transporta ao lo-fi do início dos anos 1990. Miserabilia cita diretamente os riffs de Weezer de Undone (The Sweater song). E há as canções com pontas soltas e dissonâncias que lembram o Pavement de Slanted and enchanted (All your Kayfabe friends, que fecha o disco). A diferença é que o Los Campesinos trabalha com uma estética de acúmulo de efeitos – de excessos e detalhes que não combinam com um formato à punk rock. De propósito, a banda faz rock superextravagante transmitido por um radinho de pilha.

Talvez seja por isso que tanta gente os abandone na primeira audição. Ouvir um álbum do Los Campesinos exige predisposição a uma sonoridade sempre over, sempre estridente. Mas garanto que, depois de um tempo, quando a estranheza desce pelo cano, os galeses se destacam por algo bem mais simples: o entusiasmo com que vomitam refrãos fáceis, versos irônicos e referências pop.

O primeiro disco, Hold on now, youngster, levava essa urgência ao pé da letra – a banda passava pelas próprias canções como um trator descontrolado. Agora (e depois de receber críticas por um disco “disforme”), a hora é de aceitar algumas convenções, esculpir o pedregulho na medida do possível. We are beautiful é mais redondo que o anterior, com faixas que oscilam entre a empolgação da estréia (Ways to make it through the wall e a faixa-título são tão poderosas quanto qualquer coisa que já gravaram) e momentos até introspectivos, com vinhetas ruidosas que amarram uma canção a outra.

Para quem se acostumou a esta bagunça organizada, soa como um álbum mais palatável, domesticado e – apesar do processo acelerado de gravação – menos arriscado. Como eles próprios avisam num dos versos, uma “versão soft porn do fim do mundo”. Está feito – agora vamos à carnificina?

Segundo álbum do Los Campesinos! Dez faixas, com produção de John Goodmanson. Wichita/Arts & Crafts. **

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