Dig out your soul | Oasis

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Dig out your soul é o melhor álbum do Oasis desde… quando? Desde o rinoceronte Be here now, de 1997? Provavelmente sim, já que o disco novo soa como um Be here now que não se deixa triturar pela própria gradiloqüência.

Mas quem sou eu pra chegar a esse tipo de conclusão? Quando o assunto é Oasis, ninguém deveria confiar em mim. É daqueles casos em que eu mesmo desconfio deste que vos escreve. Em 1994, Definitely maybe era o álbum que eu mais amava em todos os tempos. Em 2002, Heathen chemistry era álbum que eu mais desprezava em todos os tempos.

Pois bem. Minha relação nada sadia com o Oasis divide-se entre antes de Be here now (devoção) e depois de Be here now (frustração).

E, me matem, ainda não sei o quanto gosto de Be here now (se bem que eu era um dos cinco fãs enloquecidos que esperaram a loja de discos abrir no dia do lançamento mundial).

O que eu não esperava era que Noel e Liam retornassem justamente a ele, a Be here now, um álbum massacrado por tentar abraçar o mundo com as pernas. Não há como negar que a produção do disco é um daqueles equívocos que ninguém sabe explicar direito. De tão apoteóticas, compactadas numa pilha grosseira de efeitos, são faixas que perigam destruir as janelas do quarto se ouvidas em volume muito alto. De qualquer forma, aquele foi concebido como o disco mais ambicioso do Oasis – o testamento de uma banda de rock transformada em monumento.

Nas entrevistas de divulgação de Dig out your soul, os irmãos-encrenca falaram no desejo de criar um álbum exibido, elétrico, exagerado e jogado aos seus pés. “Queremos duas orquestras ao mesmo tempo”, ameaçou Noel. O porte gigantesco combina com o reinado do Glasvegas, mas não deixa de parecer surpreendente para uma banda que tentava se adaptar a um som mais contido desde Standing on the shoulders of giants, de 2000. Nos últimos três álbuns, tudo o que o Oasis fez foi buscar uma forma de colocar os pés no chão – de preferência, a alguns bons quilômetros de distância dos excessos de Be here now.

Mas e se eles descobrissem que os excessos e as ambições fazem bem ao Oasis? Dig out your soul é o retrato dessa descoberta. E, por sorte, não estamos metidos no fluxo de consciência de um megalomaníaco.

Os problemas do Oasis, hoje, são outros. O maior deles é recuperar o prestígio perdido depois de um período de estiagem criativa, de pobreza de idéias, de auto-reciclagem, de baladas mornas e psicodelia de segunda mão. O novo álbum sofre com o rescaldo dessa fase de vacas magérrimas (e foi mal, mas eu não consigo ver Don’t believe the truth, de 2005, como um retorno à forma), mas encontra uma banda novamente confiante, pronta para recuperar de vez o foco perdido há alguns bons dez anos.

Quem espera um grande disco será obrigado a relevar alguns clichês típicos da discografia do grupo. As referências a Beatles continuam frágeis (os acordes de Dear Prudence ao final de The turning, o início à Helter skelter de The nature of reality, o “love is a magical mystery” em The shock of the lighting) e o conceito todo do álbum evoca Exile on main street com uma atmosfera psicodélica que lembra tanto The Doors quanto T-Rex. Nada novo. Mas nada tolo. É um disco sóbrio e cauteloso, próximo de um formato de “rock clássico” e quase-quase adulto – eles chegam ao ponto de gravar um blues lisérgico em (Get off your) High horse lady.

Contaminado por uma nostalgia que eles tratam sem pudores (e, nesse ponto, lembra algumas experiências do Stone Roses e do Primal Scream com influências setentistas), o álbum enfeita cada canção com distorções, corinhos, pequenas sinfonias e outros apetrechos de estúdio que, no caso do Oasis, combinam com uma banda que só faz perfeito sentido quando diante de multidões. Soará muito bem ao vivo, como o próprio Noel notou. Não é uma vitória a ser menosprezada.

Sétimo álbum do Oasis. 11 faixas, com produção de Dave Sardy. Big Brother. **

9 comentários em “Dig out your soul | Oasis

    Samuel disse:
    setembro 23, 2008 às 1:05 am

    Exile on Main Street?

    Não sou dos mais fãs do Oasis, mas depois dessa eu preciso ouvir esse disco, hehehe. E o Heathen Chemistry têm coisas boas – a faixa de abertura, por exemplo, é uma das minhas canções favoritas da banda.

    Tiago respondido:
    setembro 23, 2008 às 11:08 am

    É o disco deles com referências mais explícitas de blues e rock ‘n’ roll. Mas enfim, os Rolling Stones sempre foram uma influência muito presente pra eles.

    Daniel Pilon disse:
    setembro 23, 2008 às 11:10 am

    De completamente desprezível na discografia deles, só acho o Don’t Believe the Truth.

    Eu também acho que deve ser o melhor desde Be Here Now e The Shock of the Lightning é um single que há tempos eles não faziam tão forte. Mas ainda não é o graaaande oasis dos dois primeiros discos e que eu também, na época, achava a melhor coisa do mundo.

    Ainda tá pra sair o real grande sucessor de Morning Glory. Pelo menos é o que eu desejo…

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 23, 2008 às 11:23 am

    Pilon, mas não sei se este Oasis conseguiria fazer um álbum como Morning glory de novo. Até pq a banda está numa fase bem mais pé-no-chão, e os primeiros álbuns eram retratos de um grupo novo, jovem, bajulado pela imprensa, crente de que era a maior banda do planeta etc. Eu acho que a tendência é que a banda aprofunde essas influências de rock clássico, o que poderá render belos álbuns – de qualquer forma, o Dig out your soul já me parece mais interessante que qualquer coisa que o Primal Scream tenha feito nesse mesmo ramo.

    Daniel Pilon disse:
    setembro 23, 2008 às 11:49 am

    Não é que eu queira algo como o Morning Glory ou Definitely Maybe, isso não vai acontecer mesmo. O que eu quero é algo da mesma magnitude. O Oasis tem boas influências e piso para fazer algo maior do que vem fazendo desde o Standing on the Shoulder of Giants.

    Thais Ninômia disse:
    setembro 23, 2008 às 1:12 pm

    Escutei Definitely Maybe e Morning Glory à época do “surgimento” do Oasis até enjoar (e para mim continuam sendo dois discões), mas não sei se posso dar um pitaco nesta discussão, por falta de conhecimento de causa. Não acompanhei mais Oasis depois de Be Here Now (inclusive foi o último álbum deles que comprei). (Na verdade, estou tentando lembrar o porquê desse meu “afastamento”, mas não consigo!) De todo modo, fiquei com curiosidade de conhecer Dig Out Your Soul.

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 23, 2008 às 1:45 pm

    Pois é, Thaís, acho que depois de Be Here Now os fãs do Oasis se dividiram entre os persistentes e os impacientes. Os persistentes quebraram a cara, mas, a cada novo disco, tentaram se convencer de que a banda estaria voltando à forma. Só digo pra vc não ir com muita sede ao Dig Out Your Soul. Não é tão bom quanto os primeiros dois discos deles.

    Diego disse:
    setembro 23, 2008 às 4:43 pm

    Não vi graça.

    Fagner disse:
    dezembro 18, 2008 às 9:49 pm

    Cara, eu adorei “Dig Out Your Soul”. Pra mim, depois de “Morning Glory”, é o melhor! Pirei! Tava esperando esse disco!

    Viva Oasis!

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