Glasvegas | Glasvegas

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O primeiro álbum do Glasvegas começa numa arena lotada de gente e termina trancado num quarto escuro. A primeira faixa, Flowers and football tops, é um hino engajado que lembra o U2 de Unforgettable fire. A última, Ice cream van, se arrasta como uma ode dolorida ao My Bloody Valentine.

Isto é: no fundo, este mascote da crítica britânica não destoa muito do Coldplay de Viva la vida. A diferença talvez esteja no fato de que, enquanto Chris Martin organiza essas referências como potes de geléia na prateleira, James Allan mistura os ingredientes num caldo espesso – o que rende um álbum mais uniforme, ainda que não menos previsível.

Talvez para o público de Katy Perry, uma banda como essas – que assume as próprias ambições com convicção, sem medo do ridículo – provocará o efeito de um choque térmico. Mas não para quem conhece (para ficarmos num único exemplo) o Twilight Sad, que vai mais longe nesse sentimentalismo quase histérico (um emocore de gente grande) sob camadas e camadas de distorção. O que esses escoceses fazem, para o bem e para o mal, é reativar o rock-widescreen de ídolos nocauteados como Oasis e Manic Street Preachers.

Ainda que, em alguns trechos, acabem parecendo com o Stereophonics.

A produção de Rich Costey (de Absolution e Black holes and revelations, do Muse) dá à banda um porte monumental – o disco às vezes deixa a impressão de ter sido gravado numa convenção de hooligans enlouquecidos. Nada que fuja do esperado, aliás: este ano, vide Bloc Party e Friendly Fires, a grandiloqüência se faz regra. O que mais interessa, até para variar, é quando o Glasvegas tenta escapar desse tipo de armadilha. Como em Stabbed, que evoca Beethoven para narrar uma crônica sombria de violência juvenil.

Para quem superar a ressaca dessa pompa épica, o álbum revelará alguns hits parrudos, fortes pela forma comovida como são interpretados. Principalmente as duas primeiras faixas, Flowers and football tops e Geraldine. Equivalem a um bom filme de Ken Loach: são quadradinhas, mas que não as acusem de desonestidade.

Primeiro álbum do Glasvegas. 11 faixas, com produção de James Allan e Rich Costey. Columbia. **

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2 comentários em “Glasvegas | Glasvegas

    Diego disse:
    setembro 15, 2008 às 5:22 pm
    Tiago Superoito respondido:
    setembro 15, 2008 às 5:26 pm

    U-hú.

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