HELLBOY II: O EXÉRCITO DOURADO

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Hellboy II: the golden army, 2008. De Guillermo del Toro. Com Ron Perlman, Selma Blair e Doug Jones. 120min. ***

Guillermo del Toro vê beleza no que é estranho.

Uma das grandes seqüências de Hellboy 2 trata exatamente disso: nela, nosso herói monstruoso – vermelho, tosco, louco por doces e tevê – enfrenta um gigantesco deus da floresta. Depois de escalar a fachada de um hotel (com um bebezinho no colo!), ele mata o vilão. Em vez de um desfecho triunfante para o duelo, com o típico jorro de alegria vingativa, a criatura morta se abre numa exótica flor verde, que se desmancha numa bela chuva de pétalas. A trilha sonora chega em tom menor – o som não é de vitória, mas de melancolia mesmo.

Em outra cena, essa mais cômica, o vermelhão freak divide uma cerveja com um monstrengo azul-piscina. Juntos, eles choram as pitangas de relações amorosas mal-resolvidas ao som de uma canção pop romântica. I can’t smile without you. “Eu daria minha vida por ela”, confessa o super-herói bebum. “Mas ela também quer que eu lave a louça.”

Eis o conflito.

Mas é apenas um entre tantos conflitos de Hellboy 2, um filme de ação que Guillermo del Toro dirigiu e escreveu talvez para nos provar que é possível pagar as contas e, no meio-tempo, fazer um tipo bastante pessoal de cinema de entretenimento.

Na primeira hora de duração, a trama parece mera desculpa para que o diretor desenhe as criaturas extraordinárias de sempre. Da metade em diante, o longa assume uma dimensão épica que poderia ter arruinado o playground. Mas não. Del Toro banca o espírito nerd de uma história que se empenha em construir toda uma mitologia em torno de Hellboy – o arruaceiro ganha até mesmo uma perspectiva sombria de futuro que envolve o destino da humanidade.

E aí toca Beautiful freak, do Eels (apelação!).

Muito esparramado no próprio universo, del Toro não se envergonha dessa guinada da trama. Trata o filme com um tipo destemido e desvairado de fantasia, raro no gênero. Taí uma continuação que avança em território desconhecido e prega peças em quem esperava dela apenas mais um capítulo de franquia. O cineasta está brincando, se divertindo, testando uma nova linha de monstrengos – Hellboy 2 não é, não quer ser O labirinto do fauno. Mas del Toro brincando vale (ah sim, vale) por um batalhão de cineastas tão sérios.

3 comentários em “HELLBOY II: O EXÉRCITO DOURADO

    Diego disse:
    setembro 2, 2008 às 5:30 pm

    Maravilha.

    Érico disse:
    setembro 2, 2008 às 5:36 pm

    Sabe que eu gosto bastante do primeiro filme, talvez a melhor adaptação hollywoodiana de HQ dessa década.. esse parece ser ainda mais divertido.

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 2, 2008 às 5:44 pm

    É bem melhor que o primeiro.

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