OH (OHIO) | Lambchop

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Entre as cinco ou seis pessoas que idolatram o Lambchop, é uma espécie de consenso que Nixon, de 2000, foi a álbum que colocou a banda entre as mais importantes do novo country alternativo dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que desdobrava o som apresentado por Uncle Tupelo no início dos 90, o disco parecia mais amplo até que o próprio gênero, com referências de soul music, rock psicodélico e das confissões sombrias de um Leonard Cohen.

Pois bem. Como uma das cinco ou seis pessoas que idolatram o Lambchop, não tenho como discordar muito disso. Mas o tempo provou que, para o futuro da banda, o álbum seguinte a Nixon seria ainda mais decisivo. Em Is a woman, o crooner Kurt Wagner liderava um time de quase 20 músicos numa espécie de orquestra de silêncios. Ouça o disco com pressa e você pensará que Kurt se faz acompanhar apenas do próprio violão. Aumente o volume a, aos poucos, você reconhecerá os sopros, as cordas, os efeitos eletrônicos, os pianos, os sussurros.

Talvez seja uma aventura tão impresssionante quanto o próprio Nixon, mas, talvez por exigir o cuidado com que se trata uma peça de porcelana, confinou definitivamente o Lambchop num nicho preservado por cinco ou seis fãs muito dedicados. Como aconteceu com o Tindersticks, pagou o preço por burilar um estilo que não parece oferecer atrativos ou facilidades aos não-iniciados. O Lambchop é o que é, goste ou não: a banda de música ambiente mais agoniada que conhecemos.

Os dois álbuns mais recentes – o ótimo Damaged, de 2006, e este Ohio – não fazem absolutamente nada para satisfazer quem procura neles um novo Wilco. Estação errada, amigo. A faixa-título abre o disco mais para os standards interpretados por Frank Sinatra que para Neil Young. “Green doesn’t matter when you’re blue”, cantarola Wagner, satisfeito com o trocadilho. A seguinte, Slipped dissolved and loosed, soa ainda mais bucólica. “Um pássaro canta uma canção para mim”, avisa, numa onda mansa de melodia que parece nunca, nunca, nunca mesmo será capaz de se fazer maremoto.

Se Is a woman é uma obra-prima da tensão represada, e Damaged ainda comovia com o lado cronista de Wagner, Ohio é de um otimismo frágil, desconfiado. “Acredito no amor, acredito em bebês, acredito na mãe e no pai, e acredito em você”, canta, como uma criança, em I believe in you. Antes disso, o cantor afirma ter perdido a fé nas primaveras (enquanto repete frases musicais de Is a woman) e, em Popeye, emenda sha-la-las com a pergunta desesperada da vez: “Você pode me sentir agora?”.

Quem precisa da multidão? Em Ohio, o Lambchop nos avisa que talvez não seja tão trágico assim escrever álbuns que serão idolatrados por cinco ou seis pessoas. Cada vez mais, uma banda satisfeita com o mundinho acinzentado que criou para si.

Nono álbum do Lambchop. 11 faixas, com produção de Mark Nevers e Roger Moutenot. Merge Records. **

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3 comentários em “OH (OHIO) | Lambchop

    Marcelo Urânia disse:
    setembro 2, 2008 às 4:25 pm

    nixon e is a woman farão com q eu baixe todos os discos da banda até que a morte bata à minha porta.

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 2, 2008 às 4:36 pm

    Idem, Marcelo.

    André Campos disse:
    novembro 7, 2008 às 12:33 pm

    Sinceridade. Você merece o parabéns por esta qualidade. Seu texto se enreda leve, cheio de boas referências e alfinetadas.
    Sim! Os Lambchop não são a melhor – ou mais conhecida – banda daquele rotulo indie, mas eles contribuem muito – para estes cinco ou seis fãs – que os adoram.

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