JOE LEAN & THE JING JANG JONG | Joe Jean & The Jing Jang Jong

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Como sintoma para um mundo pop em velocidade máxima, que tal o primeiro disco de Joe Lean? Depois de emplacar o hit Lucio starts fire e se transformar em xodó da imprensa inglesa (e isso há mais ou menos um ano), o performer decidiu descartar o álbum à véspera do lançamento, logo na semana em que saíram as primeiras críticas positivas.

Nem os elogios da New Musical Express ajudaram. Segundo o empresário, o disco foi abortado por não representar o momento por que a banda está passando. Avisou que o quinteto retornaria ao estúdio e gravaria tudo de novo. Ninguém entendeu nada. Mas uma audição de Joe Lean & The Jing Jang Jong, que está boiando na web, pode explicar a angústia do rapaz. É um álbum que já nasce um pouco velho. Mas não é exatamente isso o que acontece com 90% do rock britânico que chega às lojas todo mês?

O que soa mais espantoso é que essa estratégia maluca foi aprovada por um grande selo – o Vertigo -, que parece ter reprovado o disquinho. E o que fazemos com isso? Pode parecer engraçado, e isso explica muito por que eu nunca seria contratado por uma multinacional, mas trata-se de um álbum que não me decepciona em quase nada. Na verdade, me surpreende – é o melhor disco de pós-punk britânico pós-Libertines e pós-Strokes que ouvi este ano.

E olha que ouvi alguns. The Subways, The Automatic, The Futureheads, Dirty Pretty Things, o próprio The Last Shadow Puppets. Nada soa tão marcante quanto Joe Lean. Talvez por causa da persona do vocalista, que se inspira em Morrissey ou Jarvis Cocker para compôr um personagem meio blasé, um cronista da juventude britânica. E o sujeito interpreta o papel com talento. Se Lucio starts fire é mesmo um hit do tamanho de um double-decker bus, faixas como In competition e Brooklyn não ficam atrás.

O bom é que Lean não se contenta com os hits, e desdobra a fórmula do álbum em faixas menos óbvias (a dopada Far too early to tell, a épica Light and dark), sem medo de enfrentar riffs de guitarra grandalhões, que lembram Pixies e Nirvana (na ótima Teenagers). Quando não está preocupado em entrar no clube de um Arctic Monkeys, ele dá demonstrações de personalidade forte que, principalmente para um primeiro álbum, parecem cada vez mais raras na Inglaterra.

Mas, já que nem o dono da banda nem a gravadora parecem aprovar esta estréia, o que posso fazer? Não ouçam este disco. Esperem pelo “retrato fiel”, programado para o início do ano que vem. Mas, cá entre nós: a versão ultrapassada de Joe Lean vale por uma dúzia de grandes novidades.

Álbum abortado de Joe Lean & The Jing Jang Jong. 13 faixas. Obviamente, um lançamento não-oficial. ***

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