Zohan – O agente bom de corte

Postado em Atualizado em

You don’t mess with the Zohan, 2008. De Dennis Dugan. Com Adam Sandler, John Turturro e Emmanuelle Chirqui. 113min. **

Por alguns minutos, vamos esquecer completamente de Dennis Dugan? O diretor de Eu os declaro marido e Larry e O pestinha é o nome que vem em destaque nos créditos de Zohan. Mas vamos combinar o seguinte: este é um filme conduzido por Adam Sandler, um dos autores de um roteiro escrito também por Robert Smigel e Judd Apatow.

O que, eu sei-eu sei, pode não ser bom sinal (que ninguém espere aqui o Sandler de Embriagado de amor), mas é um alívio descobrir que esta comédia está mais para Como se fosse a primeira vez que para O paizão – e ok, chega, o fã envergonhado do sujeito acaba de deixar a sala.

Até quem detesta o moço sabe, nesta altura, que um filme de Sandler será grosseiro e sem estribeiras, tão histérico quanto desnivelado. Zohan não é exceção. Imagino o desconforto daqueles que entrarão no cinema em busca de argumentos hollywoodianos para conflitos no Oriente Médio. Tudo é caricatura: os israelenses são gananciosos vendedores de eletroeletrônicos, os palestinos são broncos extravagantes. De realista mesmo, só Mariah Carey, no papel de uma cantora pop peituda e apalermada.

É, sim, uma comédia sobre um superagente israelense que, obcecado por discotecas e Mariah Carey, abandona tudo para virar cabeleireiro. Mas é, acima de tudo, uma comédia com a grife de Sandler, quase toda a reboque do carisma de um personagem-caricatura criado pelo ator. No caso, felizmente, é um tipo que justifica um longa-metragem (geralmente, eles não valem mais que cinco minutos de Saturday Night Live).

Zohan é uma das criações mais divertidas dele. Eu ficaria feliz com uma continuação, ainda que o filme pareça ter esgotado as possibilidades do personagem. Pisando em ovos, o roteiro dispara uma mensagem edificante para cada piada ofensiva. O resultado não fere ninguém – ao contrário de Borat, Zohan não destoa em nada de uma indústria do entretenimento politicamente correta, agradável para israelenses, palestinos, fã de Mariah Carey e para todos os que torcem para o fim dos conflitos no Oriente Médio – o planeta inteiro.

O maior vilão desta história não é o terrorista megalomaníaco (John Turturro), mas o empresário norte-americano que, encarnação do capitalismo, quer destruir uma comunidade de estrangeiros para construir um shopping center. Nem essa piscadela de olho, porém, a trama aproveita. A solução do conflito chega a soar contraditória. Mas, até lá, Sandler já terá dado conta da tarefa de criar um herói cheio de tiques, pronto para rivalizar com o Hancock de Will Smith pelo posto de super-outsider do ano (foi mal, o fã voltou à sala).

E isso, pelo menos isso, não há Dennis Dugan que estrague.

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Um comentário em “Zohan – O agente bom de corte

    gislayne disse:
    março 10, 2009 às 6:45 pm

    eu adooreii esse filme….
    jah perdi as contas que quantas vezes assinti
    esse filme….beijos

    me add aii no msn…n.anny_91@bol.com.br
    beijos

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