‘Como se comportar’ Moptop

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Na superfície, o novo do Moptop (liberado na íntegra no MySpace), é uma resposta a quem vê na banda uma filial carioca do Strokes. Para minha surpresa, o álbum acaba acertando alvos mais interessantes. Eu, que nunca me convenci com os shows glaciais do quarteto, acabei na torcida por um disquinho melancólico, desconfortável, perdido em incertezas mil.

Não é uma revolução (é até bem conservador, digamos). Mas não é o que se espera do segundo álbum de uma banda defendida por grande gravadora.

Exceção entre exceções, o Moptop é o único grupo novo de rock do país (ou de “novo rock” do país) com o selo da Universal Music. Só que ninguém ligará muito para o detalhe quando ouvir Como se comportar, um trabalho menos acessível que os recentes dos indies Superguidis e Autoramas. Desconfio até que essa condição solitária tenha pesado a favor dos climas enevoados das canções, que lidam com dramas de fim de relacionamento, medo de assumir responsabilidades e o desejo por uma idéia de liberdade e felicidade que talvez nem exista. “Por que vencer se não sei quem eu quero derrotar?”, pergunta o vocalista Gabriel Marques, em Desapego. Taí o desespero.

Como compositor, Gabriel pode até não ser mesmo de muitas sutilezas – Contramão, por exemplo, é literatura beat diluída, e a homenagem a Wong Kar-wai se chama 2046 (e tem um quê de surf music, vá entender). As referências musicais, que agora vão de Arctic Monkeys e Ennio Morricone, são poucas e de fácil identificação. Acredito que, se decidisse expandir essa palheta de influências, o vocalista resolveria um dos maiores problemas do grupo: os riffs monocórdicos, avessos a qualquer aventura, ainda parecem andar em círculos.

É um estilo imaturo. Apesar disso, a carga de desilusão sugerida pelas canções entediadas reforça a impressão de que estamos diante de uma banda que porta-se muito bem, talvez nem de propósito, como retrato de uma determinada fase da vida (a transição da adolescência para a idade adulta) e da crise do rock nacional.

Crescer é um inferno. Crescer em uma banda de rock brasileira do início do século 21, acrescenta o Moptop, pode ser ainda mais dolorido.

Segundo álbum do Moptop. 12 faixas, com produção de Paul Ralphes. Universal Music. **

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5 comentários em “‘Como se comportar’ Moptop

    Helena Hell disse:
    agosto 15, 2008 às 6:51 am

    que dor de cotovelo, achei o disco foda! Moptop é uma das melhores bandas brasileiras certamente, nada contra autoramas e superguidis. achei muito divertido. daria 4 estrelas ou cinco.
    beijos

    Tiago respondido:
    agosto 15, 2008 às 11:23 am

    Helena, a cotação vai até 4 estrelas. 2 é bom.

    Ruiivinha disse:
    agosto 15, 2008 às 2:05 pm

    Uma pergunta a quem escreveu a critica, você é fa do nx zero?
    Pow vamos dar valor noque realmente é bom!

    Diego disse:
    agosto 15, 2008 às 8:23 pm

    Pow Tiago vamos dar valor noque realmente é bom MESMO! Não perca tempo escrevendo sobre Moptop.

    Tiago respondido:
    agosto 15, 2008 às 9:18 pm

    Pow Diego se eu só desse valor noque realmente é bom, esse blog ia ficar inativo por umas quatro semanas!

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