‘Friendly Fires’ Friendly Fires

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Sem querer ser um babaca didático, mas já sendo: quando. eu. quiser. ouvir. um. disco. do. LCD Soundsystem. eu. vou. ouvir. um. disco. do. LCD Soundsystem. Não vou ouvir um disco do Friendly Fires. Certo? Tranqüilo? Estamos conversados? Posso deitar minha cabeça no travesseiro?

Friendly Fires, uma das maiores apostas da imprensa musical inglesa para 2008, é LCD Soundsystem meets Happy Mondays meets Prince (e espero conseguir terminar essa frase sem ter vomitado o café da manhã) meets The Killers. O quarteto de Hertfordshire se define como shoegazers obcecados por pop e disco. Quase tudo o que eu consigo ouvir no álbum de estréia deles é um zumbido de sirene na minha cabeça. E dói. (N.E.: Tiago Superoito escreveu este texto sob forte estresse, descontem os eventuais exageros).

A tendência é que, pelo menos na Inglaterra, faça um baita sucesso. A banda está sintonizada numa tendência de pop grandioso e extremamente bem produzido, que brilha no escuro e provoca impacto em pistas de dança, rádios e comerciais de tevê. Agora em maio, a faixa On board foi usada em propaganda de videogame. Aposto que se colocarem Photobooth como tema de anúncio de câmera digital, a maquininha vai vender feito água. Anote aí.

Friendly Fires, o disco, não tem muito como dar errado. Metade do álbum já é de conhecimento do público inglês, lançada em EPs e singles destacados pela New Musical Express e pelo The Guardian. Como o primeiro do Klaxons (ou, até para relativizar um pouco o assunto, a estréia do Strokes), ele soa como uma coletânea prematura. Nada disso é novidade – e ninguém precisará puxar da memória alguns álbuns do Blur e do Oasis para chegar a essa conclusão. O rock britânico, especialmente ele, tem uma tradição de “discos de singles” – o debut do Friendly Fires faz parte desse time.

Aí vem o lado perverso da história. Ainda que o exercício de pirotecnia do álbum não me atraia em quase nada, não posso negar que o disco se sustenta bravamente do início ao fim como uma espécie de vitrine de guloseimas coloridas. Tenho certeza de que neguinho vai inventar de chamá-lo de “new rave”, ainda que o termo tenha se diluído em piada. Toda canção, até a balada Strobe (que, com esse nome, tem tudo para virar hino fluorescente), precisa ser ornamentada com um catatau de barulhinhos eletrônicos, guitarras ruidosas, efeitos de estúdio. Absolutamente todas as faixas do álbum por pouco não explodem em purpurina e mel.

De uma banda tão apaixonada pelos próprios excessos, tudo o que quero é um conjunto de canções que faça justiça ao tom monumental. Nesse sentido, Friendly Fires é quase inatacável. Um álbum eficiente. É até coerente com o próprio nome escolhido por eles – friendly. Só não me peçam para ouvi-lo de manhã bem cedinho, ok? Nem quando eu quiser ouvir um disco do LCD Soundsystem, tá?

Primeiro álbum do Friendly Fires. 10 faixas, com produção da própria banda e de Paul Epworth. XL Recordings. **

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13 comentários em “‘Friendly Fires’ Friendly Fires

    Chico disse:
    agosto 14, 2008 às 1:12 am

    Ô tio, melhora a visibilidade destas estrelinhas, mal dá pra ver.

    Filipe disse:
    agosto 14, 2008 às 6:59 am

    Se soasse mesmo como LCD Soundsystem + Happy Mondays + Prince + The Killers entraria na minha lista de melhores do ano. Mas o disco é bem legal. Tu andas mal humorado, em termos de disco de estreia hypados pelos ingleses em que metade das músicas já eram manjadas este é bem melhor que o Black Kids.

    Diego disse:
    agosto 14, 2008 às 1:49 pm

    Não é melhor que o Black Kids não, pera lá, pera lá!

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 14, 2008 às 1:54 pm

    Não acho melhor que o do Black Kids não.

    Fred disse:
    agosto 14, 2008 às 2:37 pm

    As estrelinhas são asteriscos pequenos, né?
    Fico procurando direto e não enxergo também
    Usa gifs! Ou aumenta a fonte.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 14, 2008 às 2:39 pm

    São asteriscos pequenos. Sei lá, daqui dá pra ver tranquilo. Mas vou tentar usar gifs, não sei.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 14, 2008 às 2:45 pm

    Pronto. Vejam aí se melhorou.

    Fred disse:
    agosto 14, 2008 às 2:46 pm

    Que rápido nas respostas. haha
    Bom, eu ia dizer que o álbum novo do Primal Scream parece merecer uma resenha!

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 14, 2008 às 2:55 pm

    Já tem resenha dele, Fred. Dá uma buscada aí.

    Fred disse:
    agosto 14, 2008 às 3:45 pm

    Putz, é, esqueci que eu tinha visto, só não li. Resenha cruel. Pelo menos duas estrelinhas o Primal Scream merecia.
    Tá, eu que gostei do disco.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 14, 2008 às 3:50 pm

    Cara, achei bem fraco. Mas não voltei a ouvir depois disso. Vou tentar mais algumas vezes, mas duvido que minha impressão melhore. De qq forma, gosto muito de alguns discos da banda.

    Diego disse:
    agosto 14, 2008 às 10:38 pm

    Tiago, fazer gif dessa cor é sacanagem. Põe uma cor mais chamativa, caralho!

    Tiago respondido:
    agosto 14, 2008 às 11:35 pm

    É pra ficar discreto, pô.

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