Star wars: the clone wars

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Star wars: the clone wars, 2008. De Dave Filoni. Vozes de Matt Lanter, Ashley Eckstein e James Arnold Taylor. 98min. *

Que os fãs incondicionais de Star wars pulem todos os próximos parágrafos. Este texto não é para eles. A animação digital The clone wars é. Ela foi criada exclusivamente para um público que não se dará por satisfeito enquanto não completar o álbum de figurinhas da saga de George Lucas. Pois bem: ao séqüito, as Guerras Clônicas.

O cineasta, que nunca foi de pensar pequeno, produziu o longa-metragem de olho como uma espécie de piloto para uma série de animação que será exibida na Cartoon Network. Atento às exigências de um fã-clube que se dispõe a preencher absolutamente todas as lacunas das aventuras dos Jedis, Lucas retornou a um período sombrio que, na cronologia da série, é situado entre o (entediante) Episódio II e o (para o Superbabaca aqui, redundante) Episódio III.

A tendência é que, por volta de 2050, Lucas tenha explicitado todos os conflitos que a primeira trilogia da série havia deixado nas entrelinhas. É o que os fãs desejam? Então aposto que eles não aborrecerão com The clone wars, um especial de tevê promovido a blockbuster (e aí não vai nenhuma crítica, já que o projeto foi concebido assim mesmo, para a telinha).

As tais Guerras Clônicas são mencionadas, de raspão, no desfecho do Episódio II e durante o Episódio III. Os seguidores da saga, argumenta Lucas, queriam tantas explicações sobre um período tão importante para a consolidação da República que ele se sentiu obrigado a resgatar uma história que, creio eu, não terá fim. Ao diretor Dave Filoni, restou a missão de reciclar os personagens e elementos visuais da franquia num formato que, hoje em dia, rende produções menos pálidas que esta aqui.

Se existe um esforço de composição da animação – os personagens lembram às vezes bonecos de madeira, às vezes monumentos de mármore -, ele nunca impressiona pela ousadia ou por inovações tecnológicas (elas existem, diz Lucas, mas não consegui perceber nada de novo). O que mais incomoda, porém, é a condução da narrativa, fiel ao espírito friorento e verborrágico da segunda trilogia da série. Impossível identificar alguma emoção nesses heróis, tão complexos quanto bonequinhos de plástico. Nem nas intermináveis seqüências de batalha, estufadas por hologramas e sabres de luz.

Para quem nunca se interessou muito pela grife Star wars, recomendo distância. The clone wars, que deveria vir acompanhado de manual de instruções, faz parte de um estranho pacto entre Lucas e os fãs. Eles que se entendam. De preferência, me deixem em paz. E o resto do planeta que opte pela Pixar ou pela Dreamworks.

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2 comentários em “Star wars: the clone wars

    Diego disse:
    agosto 12, 2008 às 10:57 pm

    Concordo com tudo, mas gosto de algumas coisas. Tem uma despretensão no filme que eu não vejo nos outros da trilogia nova (ah, acho Episódio 2 bem legal até hoje).

    E, até onde sei, o filme foi pensado para o cinema, não para a TV, apesar de servir como piloto pra série.

    Tiago respondido:
    agosto 13, 2008 às 11:04 am

    Pelo que li, essa trama foi pensada como um conjunto de três episódios que abriria a série. O Lucas decidiu então juntar os três e lançar como longa.

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