Móveis convida

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Aos que não o conhecem, Móveis Coloniais de Acaju é possivelmente a maior banda de Brasília. Com onze integrantes, faz malabarismos para caber em palcos pequenos. E não tenho dúvidas de que seja também a melhor.

Além de serem conhecidos por um show capaz de converter até fã de heavy metal, eles desenvolvem um dos projetos mais interessantes da cena da cidade: o Móveis Convida. Figurões como Los Hermanos e Pato Fu já fizeram “shows de abertura” para o grupo, em apresentações lotadas. Entendam como uma espécie de piscina de ondas no deserto.

Desde sexta-feira, a idéia ganhou uma versão expandida, de festival. Em três dias, dez bandas passam pelo palco do Espaço Brasil Telecom, um teatro bastante confortável que (coisas de Brasília, não reparem) fica dentro de um hotel chique à beira do Lago Paranoá. Juro que, antes dos shows, eu estava bastante cético quanto ao sucesso de um projeto daqueles numa casa asséptica como aquela. Não é que o Móveis tratou de me surpreender mais uma vez?

Convidados como o trio instrumental Pata de Elefante não chegaram a decepcionar. Mas o espetáculo foi quase todo do Móveis. Como sempre, aliás. Até eu, que já vi umas 547 apresentações da banda (e sei os momentos exatos de cada coreografia engraçadinha), fiquei novamente espantado com a naturalidade com que eles lideram um fã-clube que o rock de Brasília quase nunca teve. Talvez durante os anos 80, não sei. Eu, um menino carioca fã de Abelhudos, não estava aqui para ver.

O povo canta tudo, imita as coreografias, dá mosh, invade o palco. Melhor que isso, o repertório passa por belas transformações que já começam a ficar claras. O novo álbum, que sai em meados de dezembro, provocará comparações inevitáveis com o Los Hermanos. Aos poucos, o Móveis abandona muito do humor irônico que marcou o primeiro disco (já um clássico brasiliense) e soa mais conciso e melancólico. Os sopros, que antes sugeriam uma festa multicultural, agora se deixam amolecer. Em algumas músicas, quase choram.

Meu medo é que esse processo de crescimento seja entendido como uma saída picareta em direção a um território já descoberto por Camelo & Amarante. Espero que não. O Móveis é uma banda que faz questão de espichar aos olhos dos fãs (uma das músicas novas apresentadas ontem nem estava completa), que grava discos quando precisa gravá-los e que faz questão de criar os próprios espaços numa cena musical que desanima qualquer novato.

E um detalhe importante: faz o melhor show do Brasil. O de ontem foi um deles. Mas apenas um entre os 547 melhores shows deles que vi. Preciso dizer que comprei a rifa pra ajudar na turnê que eles vão fazer na Europa? Comprei, comprei.

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