‘The rhumb line’ Ra Ra Riot

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O debut do Ra Ra Riot tende a provocar uma sensação de familiaridade tão intensa que possivelmente você o deixará de lado com a desculpa de que a vida é curta, o tempo passa numa velocidade que deus-do-céu e ninguém precisa ouvir uma banda que soa às vezes como Arcade Fire, às vezes como The Shins, às vezes como (ouch) Dashboard Confessional.

Certo, você não precisa. Eu não preciso. Mas eu sugeriria uma terceira ou quarta audição deste The rhumb line, uma estréia que tem pelo menos uma vantagem sobre tantas outras: é de uma precisão que, este ano, encontra pares apenas em álbuns como Nouns, do No Age, e o primeiro do Fleet Foxes. Não por coincidência, dois lançamentos da Sub Pop. A casa do Ra Ra Riot é outro selo de Seattle, o quero-ser-Sub-Pop Barsuk Records (que abriga o Menomena e o Nada Surf).

Para um primeiro álbum, chega a ser incômodo de tão perfeitinho. Cada faixa exibe quase didaticamente uma determinada referência/intenção do quinteto de Nova York. A abertura, Ghost under rocks, evoca a marcha épica e melancólica do Arcade Fire. Já Winter ’05 sai-se como o momento barroco, com um arranjo de cordas excessivo que, solto no vazio e tratado com certo desleixo, poderia estar numa canção do Vampire Weekend. Too too too fast brinca de discoteca oitentista, enquanto Can you tell parece mirar o romantismo nerd de uma balada do Shins. E é bonita, é sensível, delicada e tudo.

A sorte do Ra Ra Riot é que eles têm um drama particular para narrar. O detalhe garante sentido a uma estética que, apesar de bastante agradável, ainda parece em fase de maturação. Depois de lançar um EP elogiado, o grupo sofreu com a perda do baterista John Ryan Pike, que morreu afogado depois de um show. As corretíssimas melodias do álbum, mesmo que nas entrelinhas, se deixam amolecer pelas conseqüências desse momento complicado. A fatalidade faz de Rhumb line um disco na tradição de Funeral e Electro-shock blues (do Eels), só que mais otimista, mais cabeça-erguida e menos cruel ou emocionante que aqueles dois.

A canção mais potente é a que melhor dialoga com a necessidade de fazer música pop diante da morte. Dying is fine cita e.e. cummings com elegância e, sem abandonar a pose distanciada de um hit indie, arranca um refrão de ouro: “Dying is fine, but maybe I wouldn’t like death. Even if death were good”.

Estou prestes a ceder. Na quarta audição, sou capaz de cantar o refrão de Suspended in Gaffa tão euforicamente quanto a mãe do vocalista. Mas concordo, nesse caso, com os desconfiados: nada dissonante, The rhumb line é aquele típico álbum independente que consegue espaço amplo nas revistas grandes de rock. Apesar do subtexto mórbido, desce confortável feito o novo do Jonas Brothers. Sabe o segundo do Band of Horses? Mas esse gosto pelo acorde fácil, e pelo verso mais literário, não deixa a impressão de um trabalho encomendado. Eles não fingem, estão começando – e, pelo menos por enquanto, essa saúde é a que nos interessa.

Primeiro álbum do Ra Ra Riot. 10 faixas, com produção de Ryan Hadlock. Barsuk Records. **

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12 comentários em “‘The rhumb line’ Ra Ra Riot

    SEMIONATOW disse:
    agosto 9, 2008 às 12:28 am

    VOCE ACREDITA QUE A MENINA FOI CONDENADA A 300 HORAS DE TRABALHO VOLUNTARIO?!

    bem-vindo a t6 de gg.

    melhores episodios: 5, 7 (21 is the loneliest number, O MELHOR, LINDAO), 8, 13, 19.

    Tiago respondido:
    agosto 9, 2008 às 2:41 pm

    Acho que ela mereceu o puxão de orelha, certo? Que história é essa de abandonar os estudos?

    SEMIONATOW disse:
    agosto 10, 2008 às 3:08 am

    TIAGO! TIAGO!

    o daniel pilon começou a ver gilmore girls (sua influencia, obvio, todo mundo sabe que eu nao convenço nem minha mae a ver once and again avec moi).

    daria um beijo na testa dele se nao fosse pelas cotaçoes tragicas. nao dar 4 estrelas (o maximo) pra rory’s birthday parties, sabe? sei la, melhor invadir a casa dele e roubar os dvds porque he’s not worth it.

    da mesma forma, 2 pra love and war and snow? 2 pra kill me now, rory bonding com vovo no clube de golf. ele é maluco, tiago, eu me pergunto, aflito.

    e ele da 4 estrelas pra qualquer coisa. incontinencia de estrelas é uma coisa triste, e ficar murrinhando estrelas com gilmore (uma serie estelar, sabemos) é triste, é triste.

    mas ele deu 4 pra rory’s dance. se nao desse eu cairia duro aqui.

    prevejo uma coisa obvia: 4 estrelas pra forgiveness and stuff, voce deve se lembrar, richard tem um micro-infarto, emily diz “muitas coisas vao acontecer nesse hospital, mas a sua morte nao é uma delas”.

    SEMIONATOW disse:
    agosto 10, 2008 às 3:14 am

    alias, revi ha alguns dias trechos de a house is not a home.

    muito bom, me lembro desse episodio ter caido como uma bomba nos idos 2005/6, the whole college situation.

    é perfeitamente compreensivel rory querer “dar um tempo” nos estudos. mitchum puxa o tapete dela no episodio anterior, e, assim, ela tem apenas as horas que passa na cadeia e o dia seguinte pra se decidir pelo abandono provisorio.

    e se isso passa por “nao acredito que essa menina vai sair de yale” é merito dos palladino, que coroam a mui instavel persona da menina na metade final da t5 com uma decisao repentina e imbecil.

    ela toma jeito, voce vera.

    Tiago respondido:
    agosto 10, 2008 às 1:57 pm

    Pois é, por aqui ainda está difícil engolir a decisão repentina da menina.

    E Guilherme, os novatos em Gilmore Girls geralmente ficam desconfiados nos primeiros episódios, mas isso tende a passar lá pelo fim da primeira temporada. Apesar da aparência, não é uma série das mais simples.

    SEMIONATOW disse:
    agosto 10, 2008 às 5:08 pm

    voces tem é sorte de ve-la em dvd.

    eu comecei num episodio fraco da terceira temporada, o swan song (lembra? jess ganha um olho roxo ao brigar com um cisne, dai rory nao acredita e pensa que ele se espinafrou com dean. eu me sinto imbecil so de escrever isso, que storyline é essa?), e fui vendo dia sim dia nao dia sim dia nao dia nao dia nao dia sim, so quando tinha tempo.

    so fui assistir ao love and war and snow e ao forgiveness and stuff quando tava na sexta temporada. consegui perder as, sei la, tres ou quatro exibiçao a tarde na warner.

    abençoado seja o dvd, mas sim, acompanhar a metade final da t4 e as t5-7 semanalmente é muito proveitoso. sai a comodidade, entra o prazer de baixar um novo episodio. antes de baixar era ainda melhor, eu sempre esperei pelo ep. de formatura da menina e eu contava nos dias quando o veria pela primeira vez. foi a gloria, em dvd talvez nao tivesse sido assim. é facil demais, isso passado o sufoco de arrancar o disco DAQUELE ESTOJO IMBECIL.

    Tiago respondido:
    agosto 10, 2008 às 6:10 pm

    Sim, o desafio de tirar o disco do estojo dá um suspense a mais à série.

    Gilmore Girls me fisgou no episódio da viagem das duas a Harvard. Lembre-se que vi a segunda temporada antes da primeira.

    SEMIONATOW disse:
    agosto 10, 2008 às 8:15 pm

    por que voce fiz isso, voce é louco?

    not as nuts as http://www.youtube.com/watch?v=BSE_saVX_2A

    Filipe disse:
    agosto 12, 2008 às 3:44 am

    Prevejo muitas duas estrelas na parte de TV do log do Tiago.

    SEMIONATOW disse:
    agosto 13, 2008 às 2:37 am

    nao escute o filipe. a temporada que ele mais gosta é a terceira (?!) e seu ep. favorito (acho) é o nono, korean thanksgiving (!?).

    !?

    tiago, novamente, por que voce viu a t2 antes da primeira?

    Tiago respondido:
    agosto 13, 2008 às 11:27 am

    Foi assim, Guilherme:

    Eu ganhei a caixa da segunda temporada (acho que ela chegou no jornal e ninguém quis) e a deixei lá no canto do meu quarto, mofando. Aí passei por um período muito ruim, séria decepção amorosa, depressão profunda, essas coisas. Comecei a ver a série, talvez procurando um pouco de leveza na minha vida. A partir daí, passei a acompanhar as outras temporadas. Comprei o primeiro box, depois o terceiro. Gilmore Girls fez parte de um processo terapêutico, quase.

    SEMIONATOW disse:
    agosto 14, 2008 às 3:13 am

    AH! eu me lembro disso.

    espero que voce tenha revisto a t2 antes de ir pra terceira, como um mocinho cauteloso.

    tiago, partiu the national, 24 out. marina é a gloria.

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