Dia: agosto 6, 2008

O mago

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Não resisti: bisbilhotei agorinha uma entrevista com o mago. Não é a primeira vez que o best-seller aparece aqui no blog (aos novatos, ele é usado como sinônimo para misticismo abobalhado, vide comentários sobre Shyamalan e o novo Coppola). Mas Paulo Coelho insiste em me surpreender. Que-que-é-isso-meu-deus? Numa pergunta sobre erros de português, o ídolo da Madonna me sai com essa:

“Eu uso a língua das ruas. Uma conjunção aditiva não vai resolver os problemas do mundo”.

Isto é: como eu suspeitava, Paulo Coelho e o Chorão do Charlie Brown Jr são a mesma pessoa. E, já que o cinismo impera entre os jornalistas, a questão seguinte era sobre a Academia Brasileira de Letras. Coisa linda. Quando é que vão me deixar participar de um bate-papo desses, hem?

Cinturão vermelho

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Redbelt, 2008. De David Mamet. Com Chiwetel Ejiofor, Tim Allen, Alice Braga e Rodrigo Santoro. 99min.

Existe uma brincadeira amarga logo na premissa de Cinturão vermelho: o grande herói do filme de David Mamet é simplesmente um homem honesto. Professor de jiu-jitsu, Mike Terry paga as contas, é atencioso com a esposa, mantém uma pequena academia e faz questão de defender a tradição e a integridade do esporte que ensina. Apesar de (ainda) não ter começado a praticar jiu-jitsu, conheço cinco ou seis instrutores que aceitariam perfeitamente nessa definição. Procure com um pouco de cuidado e você encontrará pessoas que não traem os valores em que acreditam.

Acontece que, neste “filme de artes marciais” (a definição é do Wikipedia, não tenho nada a ver com isso), Terry parece o único homem honesto do planeta. Mamet, que não trata a ficção com a ingenuidade de quem enxerga realismo em tudo, destaca a personalidade desse homem com um golpe simples: o contraste exacerbado. Em um filme de gênero com vocação para tragédia grega, o professor funciona como símbolo do “fazer a coisa certa”. É a bondade encarnada. Os outros personagens da trama (que, juntos, formam uma teia de traições e emboscadas) são as provações que nosso herói terá que enfrentar para afirmar-se no mundo.

Os filmes de Mamet geralmente são organizados como tabuleiros de xadrez. Acusar o diretor de manipular situações e personagens é chover no molhado (aos que torcem o nariz para o método, sugiro que abandonem o cineasta até para economizar tempo). Mais interessante que reforçar o óbvio é notar, por exemplo, como os heróis de Mamet parecem cada vez mais humanos – cada vez mais parecem falhas em roteiros milimetricamente construídos. Mesmo quem detesta a estrutura narrativa Cinturão vermelho há de notar que Chiwetel Ejiofor ergue um filme à parte. A dignidade do personagem está no ator, e Mamet não pode fazer nada além de sentar-se e assistir ao espetáculo.

É o talento do ator que permite a Mamet acimentar os vinte minutos iniciais do longa com as discussões em torno conflito banal (como pagar pela vidraça da academia, quebrada acidentalmente?). E, mais decisivo que isso, bancar um clímax excessivo que, num caso talvez inédito na carreira do cineasta, liberta-se da mania de precisão e é filmado com comoção verdadeira, fora de controle.

Não sei o que acontece com o cinema de Mamet, mas um roteiro arrumadinho demais e duas ou três atuações constrangedoras (Rodrigo Santoro, alô?) não me parecem problemas tão sérios perto de tudo o que corre à margem da história narrada por estes belos filmes. O de Mamet, e o de Ejiofor.

Evolução

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Aos 14 anos de idade eu era um nerd ridículo.

Hoje sou um nerd ridículo que usa óculos escuros e dirige ouvindo som alto.