A múmia: tumba do imperador dragão *

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The mummy: tomb of the dragon emperor, 2008. De Rob Cohen. Com Brendan Fraser, Jet Li e Maria Bello. 112min. *

A múmia: existe franquia mais ingênua que essa?

Há os filmes que me deixam com saudades das Sessões da tarde que não tive tempo de ver quando eu era criança, tão entretido estava eu com aulas de natação e passeios de bicicleta e partidas de videogame. E há os que me fazem suspeitar que, se eu tivesse passado minha infância inteira diante de Sessões da tarde, provavelmente isso teria feito de mim um perfeito imbecil. Este novo A múmia faz parte do segundo grupo.

Assisti aos dois filmes anteriores (e a Escorpião rei, incluído no box temático de DVDs) e ainda não consigo entender o apelo da série (talvez o tolo seja eu, já que o mesmo acontece com Piratas do Caribe e A lenda do tesouro perdido). Ainda mais em ano de Indiana Jones – que, perto do herói abobalhado de Brendan Fraser, fica parecendo um personagem criado por William Faulkner.

Mas reconheço: Fraser tem a força. A cada filme da série, aliás, ele insiste em me surpreender. São poucos os atores com a capacidade de pronunciar diálogos tão infantis e, ao mesmo tempo, posar de pai preocupado e de action hero destemido. A série existe por causa dele – ainda que Fraser perca algumas brigas contra longas seqüências de ação com a aparência de frias vitrines de efeitos visuais.

John Hannah, sempre no papel de John Hannah, faz alguma diferença. Os coadjuvantes, porém, podem ser trocados sem prejuízo para o resultado da equação. Pode parecer estranho ver Maria Bello no lugar de Rachel Weisz (e a substituição rende uma piadinha interna bonitinha e sem-gracinha), mas é uma sensação que dura até o momento em que percebemos como a maezona Evelyn fica quase à margem de uma trama que envolve um imperador chinês com mania de grandeza (Jet Li, desperdiçado como nunca), um exército de caveiras, maldições milenares e um time de abomináveis monstros da neve.

Desde A múmia, a série tenta se equilibrar entre a auto-paródia e a tentativa de se impor como uma franquia auto-suficiente. São aventuras engraçadinhas demais para provocar alguma tensão, pueris demais para sobreviver às sucessivas repetições de uma idéia que nunca soou nova. Elas rodopiam no vazio. Há uma cena em que o filho do personagem de Fraser reclama que o pai desengonçado despertou mais uma múmia. O papai responde: “Já venci essa briga duas vezes. E contra a mesma múmia”. Sim, e o espectador predisposto a topar a brincadeira que force uma crise de amnésia.

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2 comentários em “A múmia: tumba do imperador dragão *

    Daniel Pilon disse:
    agosto 2, 2008 às 1:11 am

    Notícia triste para você: http://www.nme.com/news/nme/38613

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 2, 2008 às 2:44 pm

    Puts. Pena.

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