‘Conor Oberst’ Conor Oberst **

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Para gravar o quarto álbum solo, Conor Oberst instalou um estúdio temporário numa vila montanhosa do México chamada Valle Místico. A impressão superficial que alguém pode tirar deste disco é que nosso Huckleberry Finn indie não precisaria ter ido tão longe para gravar essas 12 canções. Elas remetem à tradição do rock norte-americana – do folk ao country, via Bob Dylan e Gram Parsons.

Só que, aprovemos ou não, Conor decidiu cair na estrada. Suspeito que esse auto-exílio tenha contribuído para a luz silenciosa que paira sobre o disco – não é um álbum sobre metrópoles. Quando fala em Nova York, ele já pensa em despedida. “A estrada cura tudo”, canta.

Não deixa de ser um clichê. Mas a arte de Conor sempre funcionou assim. Ela passa por um olhar comovido, arrepiado, para certos lugares-comuns da juventude (é por isso que o melhor trabalho da carreira continua, firme e forte, I’m wide awake it’s morning, do Bright Eyes). Quando narra crônicas em primeira pessoa, ele canta os amores que acabam, o medo da morte, a dificuldade de crescer.

Tome distância dessas canções e elas soarão imaturas. O que interessa é o compromisso que Conor parece ter com todas elas. Ele as traduz com o suor de quem viveu todas aquelas obviedades e algumas outras. A melhor faixa deste disco novo, Lenders in the temple, é quase um Elliott Smith. Com violões dedilhados e sussurros ao pé do microfone, Conor abre a janela da alma (ainda que não diga coisa com coisa).

Pena que o disco inteirinho não mire esse tipo de epifania. Conor quer o Olimpo. Parece agoniado por fazer o próprio Bringin’ it all back home, mas já? Conor Oberst, o álbum, me parece calculado demais, pensado em excesso para se adaptar a uma definição rasteira de “projeto folk”, de “obra pessoal”. São poucas as faixas que realmente justificam esse conceito. São bem gravadas – como Get-well-cards ou Sausalito -, mas parecem travadas numa idéia-fixa que Conor faz sobre esse tipo de álbum, sobre alguns gêneros musicais. Ele não arrisca. Cadê o espírito aventureiro?

Conor desbrava o mundo, mas não se deixa transformar por ele. Ainda enxerga um aconchegante lugar-comum. E assim, cauteloso, nos entrega competentes 40 minutos de bonitas canções.

4 comentários em “‘Conor Oberst’ Conor Oberst **

    alves, le roi disse:
    julho 29, 2008 às 4:00 am

    ca-ra. li gram parsons no texto e bateu vontade de publicizar gene clark.

    voce o conhece? ele é o once and again da musica.

    va direto pro ouro: white light & no other.

    Tiago respondido:
    julho 29, 2008 às 10:20 am

    “Once and again” da música. Here we go.

    (ah, comprei a caixa do Gilmore Girls).

    alves, le roi disse:
    julho 30, 2008 às 2:33 am

    aposto que batman sera o once and again das hqs.

    Tiago respondido:
    julho 30, 2008 às 2:50 am

    tá mais pra c.s.i. das hqs.

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