Dia: julho 25, 2008

CSS na Pitchfork

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Most of CSS nuance, sense of irony, and genre schizophrenia have been excised in favor of, well, the exact sort of bland dance-punk they so skillfully avoided on their first album.

Acabou o mistério. A Pitchfork viu em Donkey um disquinho bem meia-boca. O engraçado é que, para detonar o pobre coitado, eles tratam a estréia da banda como uma espécie de obra-prima, um marco indiscutível. Mais cômico ainda é quando lembramos que o site foi um dos que pegaram no pé do álbum anterior deles. Eu não entendo. Mas, de qualquer forma, é um texto desiludido e, por isso, bom de ser lido.

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O que acontece comigo quando faço aniversário? No dia dos meus 20 anos, acordei com taquicardia e passei a manhã inteira questionando minha existência na Terra. Hoje parece que estou bem melhor.

Meu diário: levantei cedinho, fui brincar com os cachorros num frio glacial (um deles arranhou meu braço até tirar sangue, mas encarei o gesto como um afago desengonçado), bati palmas para o pôr-do-sol, disse olá para as três pessoas que caminhavam na rua, assinei um cheque de R$ 120 para o lar dos idosos, agradeci ao papai do céu por eu ser um homem saudável e de bom coração, visitei o blog do Zeca Camargo, li as notícias do dia e me emocionei quando percebi que não havia nenhum menino de cinco anos de idade morrendo afogado no interior do Rio Grande do Sul, me descobri muito compreensivo ao ver que a minha conta no Twitter havia caído numa espécie de buraco negro virtual e de lá não mais voltaria (não se pode controlar tudo nessa vida!), dei piruetas ao notar que o queijo e o presunto acabaram e que eu poderia me deliciar com um belo pão-com-nada no café da manhã, ouvi duas faixas do meu disco favorito do Ryan Adams, fiz as contas rapidamente e cheguei à conclusão de que tenho economias para alugar uma quitinete no Entorno do Distrito Federal e por isso não sairei tão cedo da barra da saia da mamãe, tomei uma deliciosa vitamina de banana com banana, avaliei como supimpa a queda de visitas no meu blog de nicho (a meta, afinal, é atingir um pequeno grupo de leitores inteligentíssimos), fiquei até muito satisfeito com meu aparelho dentário, já que ele fará de mim um sujeito com uma arcada em perfeitas condições de disparar sorrisos Colgate que espalharão alegria por aí, dei uma volta no quarteirão mais agradável do Lago Norte e pensei: ‘ainda não recebi nenhum aumento de salário significativo, que bom! É um estímulo para que eu trabalhe mais e melhor, para que eu seja útil à sociedade e sonhe com um futuro próspero’, imaginei quatro opções para minha viagem de férias: Los Angeles, Buenos Aires, Cuba ou, na mais provável das hipóteses, um tour pelo subúrbio do Rio de Janeiro? Comprei o jornal. Matei as palavras cruzadas num espirro. Lembrei: ‘além de tudo, sou um rapaz inteligente!’. Fiquei orgulhoso de mim mesmo. Decidi chegar atrasado no trabalho (eu mereço!). Tirei um cochilo de cinco minutos. Sonhei com um resort nababesco de país subdesenvolvido.

Aiai. Me sinto tão bem. Nada como a maturidade.