Dia: julho 21, 2008

‘Beautiful future’ Primal Scream *

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Olha, eu entendo: impossível cobrar coerência de uma banda como o Primal Scream, assumidamente indecisa entre tantas ofertas na vitrine do pop. Tudo o que sabemos sobre a gangue de Bobby Gillespie é que ela sempre, sempre tentará nos surpreender com um novo figurino. Pode soar tanto como um bando de motoqueiros selvagens (em álbuns como Give out but don’t give up e Riot city blues) quanto como uma turma de modernóides enlouquecidos numa eterna viagem de ácido (em XTRMNTR ou até no irregular Evil heat). A obsessão de Gillespie, 46 anos, é não ficar para trás.

Essa angústia por ditar moda (nem que a partir do resgate de influências do rock clássico) se faz mais explícita nos álbuns menos enxutos da banda, aqueles que não se prendem a um conceito fechado e apontam em todas as direções: são os casos de Vanishing point, de 1997 (um dos meus favoritos), e agora deste Beautiful future (que, por enquanto, não me diz quase nada).

O disco novo aposta alto ssa idéia de instabilidade. A começar pela escalação de um duo de produtores que, esteticamente, não dividem o mesmo bangalô. De um lado, os riffs de guitarra valorizados por Paul Epworth, de Bloc Party e Maximo Park. De outro, o pop doce do sueco Björn Yttling, do trio Peter, Björn and John. Talvez a intenção da banda tenha sido flertar com a depretensão. Mas isso Gillespie nunca consegue. Sem a coragem de bancar completamente um lado mais radiofônico, o álbum acaba se afirmando apenas como um projeto de transição – ou, numa análise menos condescendente, como um rascunho.

Há faixas, como The glory of love e Over and over (essa última, uma cover fofa do Fleetwood Mac), que demonstram o interesse do grupo por um indie rock mais melódico, aquele que tem em Estocolmo a principal capital. Mas há outras, como Suicide bomb e Zombie man, que retornam ao velho nheco-nheco stoneano que o próprio Primal Scream esgotou antes de entrar em estúdio para gravar Riot city blues. O single, Can’t go back, tenta até uma aproximação forçada com a new rave (confirmada em I love to hurt, com participação de Lovefoxxx), mas essa busca incessante por uma sonoridade contemporânea morde o próprio rabo quando percebemos que quase nada a sustenta. Além de pose, claro.

Gillespie odeia olhar para o próprio passado. Talvez esteja certo. Se você tentar encontrar algum sentido na trajetória do Primal Scream, baterá de frente numa banda disforme e presa numa adolescência sem fim. Por isso, recomendo esquecer esse cenário completo: o melhor jeito de ouvir os ótimos Screamadelica, Vanishing point e XTRMNT é sem imaginar um contexto para eles. Já Beautiful future é outro drama: um disco que, ao flutuar na própria irrelevância, me decepciona de qualquer uma das formas.

Batman, um retorno

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Durante a revisão do novo Batman, tenho que admitir que mal consegui pensar nos dilemas do Homem-Morcego. Na verdade, me lembrei de outra coisa: das três ou quatro vezes em que voltei ao cinema para ver Kill Bill, vol. 1, em como retornar a algumas cenas do filme de Tarantino me provocavam sensação parecida a de ouvir repetidamente algumas das minhas canções favoritas. Aquele foi o filme que mais me ensinou sobre o valor de uma segunda, de uma terceira impressão, de como a experiência de um primeiro encontro com certas imagens pode se desdobrar num hobby quase infantil – como quem se deixa hipnotizar sempre que vê um determinado videoclipe de dois minutos de duração, como a criança pequena que não se contenta com a décima reprise do desenho animado.

Enfim. Esse deslumbramento não me seqüestrou durante a sessão de O cavaleiro das trevas, e nem estou surpreso com isso. Continuo a encarar o filme com um distanciamento estranho – às vezes parece que estou assistindo, dos bastidores, a um espetáculo de mágica. Reconheço de antemão todos os truques, vejo o coelho antes de ele ser tirado da cartola. Entendo os argumentos de quem defende o filme e concordo com alguns deles (no mais, o longa se confirmou como uma season finale para um longo seriado construído pela equipe de marketing da Warner). Só não havia conseguido adivinhar que o Coringa de Heath Ledger, que a mim soava tão doentio e desglamourizado, provocaria urros de alegria na platéia do multiplex.

E não preciso dizer que ouvi umas 250 vezes durante o fim de semana que esta é a melhor adaptação de HQ de todos os tempos. Um outro filme que já vi.

CSS na NME

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Everything from the Breeders guitars to the Cyndi Lauper enthusiasm is washed in a slick (but not distasteful) pop sheen, cleary marking this band’s ambitions to break into radio world and take their unitard fanbus off the indie circuit for good. As such it’s a thicker work than the first; no less rewarding, but perhaps not quite as exciting.

Incrível, incrível mesmo, que a resenha estrangeira mais realista até agora sobre o novo do CSS tenha vindo da New Musical Express, que parecia ter trocado as boas idéias pela tendência a erguer e devorar hypes. A nota que eles deram pro disco, aliás, foi um 7 bastante otimista.