Inacreditável

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Embarquei num ceticismo absurdo. Não acredito em nada. Impressionante. Fui descobrir isso ontem, quando, no meio de uma esquentadíssima discussão sobre O escafandro e a borboleta, minha participação no debate foi um singelo “o fulano não poder ter escrito o livro, aquele livro, piscando o olho. Mesmo? Certeza que a enfermeira tá escondendo alguma coisa!” E ficam me olhando com aquelas caras de de-que-mundo-você-veio?

Depois começaram a elogiar o grau de detalhismo da biografia do Garrincha, contaram que o Ruy Castro chegou a indicar exatamente qual página de jornal embrulhou o falecido e tão amado cão do craque. “Quem quiser que acredite”, eu comentei, com o desconfiômetro a todo vapor. Mas o cúmulo mesmo foi no fim de semana, quando o sujeito matou a família inteira a golpes de canivete e eu, de longe, duvidei da história até o último minuto: “Gente, vocês têm certeza absoluta? Eu não confiaria tanto assim na polícia”

E só ontem de madrugada, quando passei por uma blitz de bafômetro e não fui parado, notei que é sério esse negócio de lei seca. Que, até segunda à tarde, soava para mim como ficção-científica. Lei seca no Brasil, pfff. Exagero da imprensa. Pois bem. Existe. Vi até um moleque chorando, bêbado toda vida, sentado à beira do Eixão, num frio de rachar. Estranho que eu tenha precisado testemunhar essa cena pra materializar a avalanche de matérias de jornal que li sobre o assunto. Não sei. Mas acho que perdi minha fé no relato das coisas.

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