Dia: julho 11, 2008

Sub Pop, 20 aninhos

Postado em Atualizado em

Para comemorar os 20 anos de Sub Pop (um selo que hoje é mais respeitável do que jamais imaginaríamos no início dos anos 90), a equipe da Pitchfork sacou uma listinha de álbuns preferidos que inclui Nirvana, Mudhoney, Sebadoh, The Shins, Sleater-Kinney (ver The woods aí encheu meus olhos de lágrimas, snif), Comets on Fire, Wolf Parade, Afghan Whigs, Sunny Day Real Estate e uma meia dúzia de bandas que, para mim, soa como grego.

Faltaram: Postal Service, Band of Horses, Fleet Foxes… Mas dá pra entender a razão das ausências, já que o site compilou trabalhos que representaram, de alguma forma, momentos importantes para o selo. Ok. Eu trocaria o Oh, inverted world, do Shins, por Chutes too narrow. Mas esse sou eu. E pelo menos a lista serviu para que me lembrassem que The woods é… meu deus, que disco.

‘Shapeshifters’ Invincible ***

Postado em Atualizado em

Invincible é o nome-fantasia de Ilana Weaver – uma rapper de Detroit que pode ser definida como um antídoto às rimas inconseqüentes de um Lil’ Wayne. Na maior parte das 15 faixas deste álbum de estréia, ela fala sério. Terrivelmente sério. Como uma líder sindical enfezada, convoca trabalhadores para lutar por direitos, discute pendengas do Oriente Médio e ensina que “música não é um instrumento para espelhar a realidade, mas um martelo para que a moldemos”.

Parece pedante? Nem tanto, já que estamos falando de um dos melhores (talvez o melhor) álbum de rap lançado nesta primeira metade de 2008. É bom assim. É que, no caso de Ilana, a pregação não soa ingênua: mesmo quando num tom apocalíptico, ela narra uma trama futurista, mas nada inverossímil, em que cenários urbanos decadentes caminham rapidamente para a auto-destruição. É um disco tão esperto que, temo, ficará escondido como uma curiosidade do limbo do selo independente Emergence, que ela própria ajudou a criar.

Não deixemos que isso aconteça, por favor. Dêem uma chance a esta agitadora. Além de versos muito sóbrios (e é curioso que um álbum desse porte chegue no momento em que a Spin acusa o pop de 2008 de descerebrado), ela tem gosto por arranjos diversificados – a doçura que é Spacious skies, por exemplo, está tão perto e tão longe do climão oriental de People not places. Isso sem contar o desfecho, Locusts, que chega a soar como trilha de filme de David Lynch (e caberia perfeitamente como encerramento tristonho para um disco do Kanye West).

O Wikipedia entrega o jogo: Ilana divide o tempo entre um projeto comunitário de arte e outro em defesa dos direitos de palestinos. Um pé na música, outro na política. Shapeshifters (e, para quem quiser mais argumentos para correr atrás dele, este link aqui pode ajudar) tem a chave para a harmonia entre um e outro elemento. E, acredite, o resultado o fará esquecer de Lil’ Wayne por alguns 50 minutos. Ou por todo o resto do ano, vá saber.