‘Workout holiday’ White Denim ***

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Muita gente faz de conta que não dá mais trela para a idéia de lançar álbuns, certo? Sim, mas poucos parecem bancar esse descaso com tanta sinceridade quanto o trio White Denim. “CDs são inúteis para nós”, dizem. Não estão de brincadeira. Desde o final de 2007, eles travam uma verdadeira batalha contra os críticos que tentam tirar algum sentido de uma obra ainda verde. Tente segui-los, se for capaz.

Os texanos se apresentaram com o EP Let’s talk about it – uma espécie de homenagem ao Gang of Four gravada com a crueza dos primeiros discos do White Stripes. Depois, distribuíram nos shows um álbum de nove faixas chamado Workout holiday. No início de 2008, conseguiram um contrato europeu e decidiram regravar as canções do disquinho e lançar, agora com 12 músicas, um outro Workout holiday.

Está acompanhando? Pois bem. No início do ano, a banda gravou um CD-R para ser vendido nos concertos: o chamou de 11 songs. Estranhamente, esse piratex meio maldito virou febre em blogs de indie rock. Deu no que deu: o White Denim regravou as faixas todas (entre elas, várias que já estavam em Workout holiday) para soltá-las na estréia norte-americana Exposion, que deverá sair em breve. Até eu estou confuso.

Com essa metralhadora de projetos, talvez eles queiram simplesmente avisar ao público que o importante é ter acesso às canções da banda – e de qualquer forma, sabe-se lá como. Por enquanto, fiquemos com o Workout holiday europeu – o mais perto que eles chegaram de um “álbum completo” até agora. É um disco que parece bastante despreocupado com a idéia de fechar um sentido em torno das 12 faixas. E essa liberdade, esse disposição para a aventura, é um risco que eles peitam corajosamente. É um dos discos (?) mais pontiagudos que ouvi este ano.

É, obviamente, um álbum consciente dessa falta de foco: na maior parte do tempo, parece fazer referência ao espírito anárquico de um Frank Zappa ou de um Captain Beefheart, mas sem abandonar algumas estruturas de melodia e arranjos que soarão familiares a quem acompanha o indie rock norte-americano desde o início da década (a tosqueira das gravações aproxima a banda dos primeiros discos do Strokes e do Hives, por exemplo). Faixas como Sitting e Mess your hair up falam por si só: são enérgicas, calorosas, uma beleza. Lembram até os primeiros do Pavement.

Em matéria de revival do rock psicodélico dos anos 60, o álbum vai no sentido oposto ao de Modern guilt, do Beck. É menos compacto, mais arejado, cheio de arestas, e imprevisível (está mais para um primo podre do Dodos). Gosto muito dos dois discos, mas, no caso do White Denim, estou quase convencido de que Workout holiday é um conjunto de canções sem nada que as sustente. E daí? É o que eles querem da vida, e eu não vou ficar aqui reclamando. Próximo álbum, por favor?

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