Dia: julho 8, 2008

Superprolixo

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Todo mundo reclama. Impressionante. Apresentei meu blog a duas pessoas conhecidas – mas sem interesse algum por cinema, música ou metalinguagem – e elas foram cruelmente enfáticas: esta página aqui é uma catatau de textos longos e enfadonhos. E ponto. Quantos posts vocês conseguiram ler por inteiro?, perguntei, com alguma esperança de luz no fim do túnel. “Nenhum”, eles responderam. Então tá certo. Já tentei diminuir o falatório no blog, e (não sei se alguém lembra) eu chegava a escrever atrocidades de uns 30 parágrafos em encarnações anteriores. Estou me esforçando. Sei que vai contra as regras do bom senso e da leitura em monitores de baixa resolução, mas eu não consigo reduzir os textos. Para os insatisfeitos, agora estou também no Twitter. O que pode facilitar as coisas. Ou não. Não sei ainda. Mas enfim: paciência, ô.

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‘Partie traumatic’ Black Kids ***

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O Black Kids é de uma geração que vive dez vidas no período de um mês. Vejamos: a banda da Flórida foi descoberta num pequeno festival em agosto de 2007 e, de lá pra cá, lançou um EP independente muito elogiado (Wizard os Ahhhs), assinou contrato com uma grande gravadora, foi procurada pelo empresário do Arcade Fire e agora, menos de um ano depois, solta um primeiro disco gravado na Inglaterra com produção de Bernard Butler (Suede). Ufa.

Se o quinteto continuar nesse ritmo acelerado, as expectativas são de que encerrem as atividades em uns três meses, no máximo. Por isso, é bom que ninguém perca tempo. Partie traumatic, apesar de ter nascido como um disco “velho” (as quatro faixas do EP foram regravadas, e quase todas as outras músicas já eram conhecidas em versões demo), sai-se como uma polaróide ainda bastante vívida do estado do indie rock na segunda metade de 2007.

Tenha a certeza de que só teremos a chance de conhecer esta banda no segundo álbum – e vamos torcer para que eles cheguem até lá. A química do Black Kids pode parecer até trivial – eles mesclam new wave e soul music, às vezes parecem um encontro de B-52s com Magic Numbers, com um vocalista cheio de afetações à Robert Smith e Jarvis Cocker -, mas o que conta é a forma como disparam canções empolgadíssimas e sacanas, em fúria hormonal. I’m not gonna teach your boyfriend how to dance with you, a melhor de todas, se explica logo no título – mas o que dizer dos orgasmos múltiplos das backing vocals? Prince cairia de quatro por eles.

Curioso no álbum é como essa estética em formação é trabalhada por Butler, que ressalta por um lado as referências de glam rock (a primeira faixa, Hit the heartbreaks, é um mix de Duran Duran com Roxy Music) e por outro adocica a porção mais soul do grupo (em ternurices como I’m making eyes at you).

Com outro produtor, provavelmente este seria um disco mais direto e agressivo. Butler, com as armas do britpop, tenta encontrar um caminho um pouco mais sutil e diversificado de apresentar esta banda a um público que caiba em estádios de futebol. Consegue. Partie traumatic é, desde já, um dos álbuns mais enérgicos e redondinhos de… 2007. Mas não digam que não avisei: ainda em ótimas condições para consumo.

Melancolia (ainda Beck)

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Só agora, depois da décima-nona audição, percebi o quão melancólico é o disco novo do Beck. Um filme de terror, quase. Talvez seja o álbum mais triste da carreira do sujeito. O mais triste depois de Sea change, disso não tenho dúvidas. Mas a diferença é que agora a história não termina num singelo “perdi minha namorada e estou desesperado” (o que, ok, também representa uma dor tenebrosa). Ela vai mais longe, vai mais fundo. É algo como “encontrei o amor da minha vida, estou casado, tenho dois filhos lindos, mas minha existência ainda não faz o menor sentido, há um zumbido na minha cabeça, não consigo mais escrever o Grande Refrão, tenho medo do Danger Mouse, queria poder mudar de identidade e começar tudo de novo”. Algo assim. Sério. É um álbum sobre esse tipo de crise. E (se você ouvir com mais atenção) é de arrepiar.