Dia: julho 7, 2008

Amarante +1

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Rodrigo Amarante vai lançar disco com Fabrizio Moretti, o baterista do Strokes. Dessa dupla, não faço a mínima idéia do que pode sair. Espero tudo, até um álbum de calypso. Mas, se render algo um tiquinho melhor que o último do Albert Hammond Jr, tenho certeza de que todos sairemos no lucro. Como é que se chama mesmo?

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Do outro lado **

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O pouco que conheço de Fatih Akin é Contra a parede, de 2004 – um filme que, premiado com um Urso de Ouro em Berlim, passou por mim quase que batido. Não dei muita atenção. Dele tenho apenas uma vaga lembrança: a de um roteiro costurado por reviravoltas e contrastes culturais.

O esquema de ficção, lembro, garantia à narrativa uma exibida ligação com temas atuais (a configuração desastrada da União Européia, acima de tudo), mas parecia excessivamente forçado, sem a autenticidade e o sangue quente que se esperam de um cineasta jovem (34 anos) empenhado em filmar o cotidiano de turcos na Alemanha – ele próprio é filho de pais turcos.

Muito elogiado nos Estados Unidos (onde ganhou o nome de The edge of heaven) e vencedor de prêmio de roteiro em Cannes, Do outro lado seria minha reconciliação com Akin. Mas não. Ainda estou desconfiado. É um longa cheio das melhores intenções – e das maiores ambições, já que se pretende um retrato de um “mundo globalizado” – que acaba parecendo uma versão em widescreen de Contra a parede.

Encenada entre a Alemanha e a Turquia, a trama acompanha as idas e vindas de tipos que mantêm ligações fortes entre eles, mas mal conseguem se encontrar. É um novelo que sugere reflexões sobre incomunicabilidade e acaso, mas manipula os destinos dos personagens com tanta truculência que se aproxima mais do mexicano Alejandro González Iñarritu que de uma Sofia Coppola.

Curioso que o roteiro premiado me pareça o maior dos problemas de um filme que, sim, é um avanço em relação a Contra a parede. Se o conjunto das tramas paralelas não convence, Akin cuida de cada um dos personagens e, sem muita pressa, permite que eles sobrevivam ao esquematismo da narrativa. Para o espectador, é possível se importar com eles mesmo quando se rejeita o lado mais imaturo do cineasta.

Ainda percebo em Akin um autor com muito a comentar sobre o mundo em que vive, mas que insiste em discursar da forma mais simplória, como se o desabafo bastasse – quem gostou de Babel, porém, terá o que comemorar.