Dia: junho 20, 2008

Agente 86 **

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Nunca vi um episodiozinho sequer da série de Mel Brooks e Buck Henry, exibida nos anos 60. Ainda assim, esta adaptação de Agente 86 caiu para mim como um reencontro com personagens que conheço extremamente bem. Como se explica? Foi como assistir a mais uma (morna) continuação de Corra que a polícia vem aí. Ou ser surpreendido por uma seqüência (morna) de True lies.

Para quem foi alfabetizado com as gags de Hollywood, nada mais familiar que a figura do agente apalermado que derruba provas secretas, dá de cara em postes, salta de sem pára-quedas e, na maior cara-de-pau do mundo, desmascara o bandido e conquista a mocinha. Agente 86, a série original, pode até ter batizado esse herói. Mas este filme aqui já nasce na rebarba de outros tantos patetas extraordinários. E as comparações, nesse ramo, são duríssimas.

Principalmente quando a briga envolve um certo detetive Drebin, Frank Drebin. No papel do expert em meter os pés pelas mãos, Leslie Nielsen ainda me parece insubstituível. Por mais que eu seja um grande fã de Steve Carell (tenho simpatia até por A volta do todo poderoso, para vocês terem uma idéia), não dá para vestir um terno, pentear o cabelo pro lado, disparar asneiras, fazer aquela careta de “não é comigo” e achar que é só isso. Na verdade, a composição do personagem fica parecendo um misto das nerdices de O virgem de 40 anos com a ausência de semancol do chefão de The office.

Tudo bem, não deixa de ser divertido. Quando não briga com um roteiro inflado, que só encontra o tom nos momentos finais (e há seqüência mais óbvia que aquela em que a dupla de agentes faz malabarismos para driblar um sistema de segurança?), Carell se beneficia de coadjuvantes de luxo como Dwayne Johnson, Terence Stamp e James Caan (esse, no papel do mais estúpido dos presidentes dos Estados Unidos).

Aí você vai à ficha técnica e descobre que o diretor é Peter Segal, que começou a carreira com uma continuação (morna) de Corra que a polícia vem aí. Ah, ok. Tá explicado.