Dia: junho 12, 2008

‘Da Carter III’ Lil Wayne ***

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Os blockbusters de 2008? Você pensou em Homem de Ferro, Hulk e Batman. Nessa lista, inclua mais um: Tha Carter III, uma superprodução do tamanho do novo Indiana Jones.

Como prega a fórmula dos arrasa-quarteirões, este álbum de hip hop não quer agradar a guetos, nem se limitar ao circuito alternativo. É para a família inteira. Os antigos fãs de rap encontrarão um protagonista com talento para rimas aceleradas. Os meninos de 12 anos de idade se divertirão com a boca-suja do herói (imagine Johnny Depp em Piratas do Caribe). As meninas cairão de amores por baladonas de soul music. Para os indies, as excentricidades do rapper cairão com oásis em meio ao congestionamento de compositores folk. E a dona-de-casa balançará o popozão na fila do supermercado quando mandarem o hit Lollipop no sistema de som. Possibilidade de fracasso? Zero.

Hoje pode parecer estranho que Lil Wayne tenha caído tão bem no figurino de homem do ano. Mas Dwayne Michael Carter, 25 anos, bolou uma estratégia de dominação mundial tão dedicada que não há como condená-lo por estar em toda parte. Fez um punhado de participações especiais em álbuns de amigos e, mais importante, vazou uma série de mixtapes que acabaram virando xodós de internautas (e preferidos da crítica, como foi o caso de Da drought 3, do ano passado).

O marketing de Wayne tem mais a ver com o cinema que com a indústria fonográfica. Crie grandes expectativas, ensinam os estúdios. Antes do lançamento, Tha Carter III já era o “melhor álbum do ano”. E confesso: até eu, que pouco acompanho a carreira do sujeito, devorei minhas unhas e perdi noites de sono.

Para quê? Para um grandioso disco de rap, sem dúvida. Um álbum de 1h20 de duração (o equivalente, em termos musicais, às 2h20 de Sex and the city – O filme). Mas não para um disco capaz de justificar tanto auê. Acontece. Não espere algo do porte de um The blueprint, do Jay-Z, ou Late registration, do Kanye West. Lil Wayne se beneficia de uma concorrência raquítica – no hip hop ou em qualquer outro gênero. Ele habita um deserto criativo – o contexto do álbum é esse.

Não que deva ser menosprezado por isso. Como um bom filme de ação, Tha Carter III pretende (e às vezes consegue) nocautear o público com uma variedade de golpes barulhentos. Há alguns truques baratos (as baladas Comfortable e Tie my hands, além do hit oco Lollipop), mas o apetite de Wayne por compor um álbum épico e “clássico” vale o espetáculo. São tantos os momentos em que ele se define como o melhor rapper do mundo que, até por cansaço, começamos a concordar.

O mais curioso dessa história é que, ao contrário das mixtapes, Tha Carter III soa como um álbum de hip hop até convencional, com muitas participações especiais (Jay-Z, por exemplo), um desfile exaustivo de produtores (Kanye West, por exemplo) e um tiroteio de intenções. Há pelo menos duas faixas sobre ficar rico, duas sobre a devastação do Katrina, três sobre ser negro na América e cinco sobre o esporte mais antigo da humanidade. No quesito sacanagem, aliás, Wayne é o rapper mais engraçado desde Eminem. E quando inspirado, como em Dr. Carter, vale por vinte 50 Cents.

Para um desfecho de trilogia, está bem acima da média (lembram de Matrix revolutions?). Para chegar a melhor álbum do ano… Só se você quiser acreditar em tudo o que Lil Wayne canta.

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Clipe: ‘All I need’ Air

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Em homenagem ao dia dos namorados, esta data tão querida e delicada inventada por associações de restaurantes, aí vai um clipezinho singelo do Air. A canção é do álbum Moon Safari, que acabou de ganhar uma (dispensável) edição comemorativa de 10 anos de lançamento. É uma criação de Mike Mills, que, depois de se mudar para o fantástico mundo dos longas-metragens, acabou cometendo um treco chamado Impulsividade. Sorte a dele que o YouTube está aí para nos lembrar dos bons tempos.