Mês: maio 2008

Clipe: ‘Hearts on fire’ Cut Copy

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A música se chama Hearts on fire, mas a idéia deste clipe dirigido por Nagi Noda parece ter saído de uma friorenta e melancólica canção do Travis. Especialmente de Why does it always rain on me? O truque é simples e surte efeito. No mais, sempre vale a lembrança de que é preciso voltar ao álbum In ghost colours, uma das belas surpresas de 2008.

Vida pessoal

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Odeio aparecer no vídeo. Sou um desastre com lentes, closes, planos americanos.

Fico com cara de menino carente em campanha do agasalho. Com medo, indefeso, pedindo ajuda, um horror. Feio, feio. E não sei ler teleprompter direito. Me sinto um hamster correndo atrás de palavras.

Stand-up, então, é pior ainda. Memorizar aquilo tudo e ainda olhar pro raio da câmera. Quando me formei em Jornalismo, meu pai perguntou: “Quando é que você aparece no Jornal Nacional, filho?” Nunca, pai. Se tudo der certo, nunca.

Donkey?

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Está aberto o concurso: o que raios significa a capa do disco novo do Cansei de Ser Sexy? A Pitchfork tem algumas idéias. Eu juro, juro que já vi um treco desses num episódio de Arquivo X ambientado na Amazônia (tem isso?).

De qualquer forma, mil vezes melhor que isto aqui.

‘We started nothing’ The Ting Tings **

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A história (ainda curta) do Ting Tings é cruel, cruel, cruel. É amarga, e aqui falamos de típica acidez britânica. Vejamos, em fast-forward: o duo de Salford decolou no final de 2006 como grande promessa, caiu nas graças da imprensa britânica, lançou duas canções elogiadíssimas (Great DJ e That’s not my name), entrou numa cobiçada lista de revelações da New Musical Express, assinou com uma grande gravadora para lançar um dos álbuns ingleses mais aguardados do ano e… e nada. Nada. Nada vezes nada. Ainda não dá para passar atestado de óbito, mas lamento informar que, pelo menos para a crítica, o Ting Tings parece ter morrido na praia.

Na arena pop inglesa, as coisas funcionam assim: live fast and die young, em bom inglês. Nesse caso clínico, que rapidez! Nem nos deram tempo para descobrir a Banda dos Sonhos de 2008. Antes de chegar às lojas gringas, antes de vazar no Soul Seek e entrar nas paradas de sucesso (desbancando Madonna, até), We started nothing já era bombardeado com críticas negativas ou adjetivos pouco entusiasmados. Na NME, nota 6. Na Uncut, duas estrelas em cinco (algo que acontece a cada dez anos na generosa publicação). Na Q, três estrelas. Cadê o grito da torcida?

Os jornalistas refugaram, creio eu, por um motivo bem simples (e cada vez mais freqüente naquela ilha esquisita): indigestão provocada por excesso de expectativas. We started nothing, oras, é um bom primeiro disco. E também um típico primeiro disco. Acontece assim: trata-se de uma banda que, ainda imatura, foi convidada para gravar um álbum. Você recusaria a proposta? Jules De Martino e Katie White não deram para trás. Eles tinham apenas duas grandes canções nas mangas (Great DJ e That’s not my name, novamente elas), mas e daí? O álbum é irregular, ok, mas vocês lembram da época em que primeiros discos soavam quase necessariamente como coleções de singles? E ninguém reclamava?

Não estou aqui para ficar defendendo um álbum de que nem gosto tanto assim. Mas é uma injustiça o que fazem com os simpáticos Ting Tings. Pobres almas. Tadinhos. Se lançado por uma Sub Pop, esta estréia provavelmente teria saído tão divertida quanto a do Cansei de Ser Sexy. Mas, produzida sob supervisão de uma major, acabou soando como uma cópia anêmica e polida do… Cansei de Ser Sexy. Com ecos de B-52s. Cruel.

Vejam bem: se desviar de baladinhas tolas como Traffic light e de brincadeiras vazias como Fruit machine e investir em canções cheias de camadas sobrepostas e refrãos viciantes quanto Great DJ e That’s not my name (elas! De novo!), o duo parece ter um belo caminho pela frente. We started nothing faz jus ao nome, e eu sinceramente acredito que o melhor remédio para esta banda é um chute na bunda. Longe de uma gravadora e com mais liberdade para criar, eles podem pensar em começar algo. Decentemente.

Pulp Indy

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Diego, que vez ou outra nos surpreende com notícias da civilização, assistiu ao novo Indiana Jones em São Paulo e enviou um parágrafo bombástico sobre o maior arrasa-quarteirão de todos os tempos desta semana (que foi lançado em Cannes, onde tiraram a foto acima). Diz assim:

Cara, ADOREI Indiana 4. Quanta pulp fiction num filme só, meu Deus! É um daqueles quadrinhos vagabundos dos anos 50 digerido e regurgitado por alguém que sabe filmar aventura e ação como poucos no cinema. Imagina um filme que começa com soviéticos em Roswell, passa por uma explosão nuclear, por lendas de povos pré-colombianos e termina parecendo Contatos imediatos do terceiro grau! Gostei até da superultramegablastercaricata Cate Blanchett. O filme é exatamente a atuação dela. Uma delícia.

U-hú. Onde é que eu compro meu ingresso? Mais comentários do Diego para o superultramegablasterblockbuster neste belo texto aqui.

Efeito dominó **

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Leia nas entrelinhas do circuitão, meu caro. Eis os desejos mais sujos e secretos do espectador brasileiro (e desculpem a rima pobre): roubar um banco e casar de branco.

Na noite de domingo, o multiplex mais tumultuado da cidade me encarou com essas duas opções. São as únicas que temos? Dispensei O melhor amigo da noiva e entrei na sala de Efeito dominó, que conta a história (inspirada em tipos de carne e osso) de um assalto a banco em Londres, em 1971. Decidi assim: antes as três caretas imutáveis de Jason Statham que o timing cômico do galã de Grey’s anatomy. No fim das contas, vi um filme de golpe até passável, que oscila entre os tiques desse subgênero e algumas tentativas (surpreendentemente dignas) de superar o fantasma de Onze homens e um segredo.

Thrillers sobre planos perfeitos (ou quase perfeitos) geralmente se concentram nos preparativos para o Grande Trambique e na forma engenhosa como a armação toda é colocada em prática. Efeito dominó estica essa cartilha ao usar o roubo como mote para uma trama que envolve um sem-número de intrigas e escândalos políticos. É um circo filmado como tal – com escracho, piadas de duplo sentido e uma galeria de personagens patéticos. Nesse tom pateta, no riscado despretensioso de quem pinta uma charge e assim despreza as formalidades do “fato real”, Roger Donaldson (de Sem saída) vai bem. Ainda que, nos momentos mais excessivos, acabe por retornar a um território já esgotado por Snatch, de Guy Ritchie.

Mas está longe de roubar nosso dinheirinho suado. Não é um passatempo ofensivo. De qualquer forma, volto à pergunta chata: é tudo o que nossas distribuidoras têm a nos oferecer? E o Romero novo? E Southland tales? E nossos outros desejos secretos e sujos? Próximo capítulo: noivas, flores e buquê.

Carne e osso

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Saiu um comentário bem simpático (ainda que exagerado – não sou tudo isso, gente) sobre meu modesto blog num jornal de Sorocaba. O que mais me impressionou foi uma referência à minha identidade mui misteriosa. “Sobre ele, pouco se sabe”, diz o texto. Bem. Er. Fiquei parecendo personagem da Marvel, diz aí.

Olha, não há drama. Sou carioca, tenho 29 anos de idade, moro em Brasília, namoro uma moça linda e inteligente, não tenho multas de trânsito, pago minhas contas em dia, sou viciado em chocolate, sei tocar violão porcamente, me formei em Jornalismo e trabalho num jornal aqui da cidade. Tá bom ou querem mais? Quando eu tiver tempo, atualizo a página “About” ali em cima pra ninguém ficar me enchendo a paciência. Preciso esclarecer essas coisas ou daqui a pouco viro uma espécie de fantasma. Não vai pegar bem. E tenho um nome a zelar.

Clipe: ‘Violet Hill’ Coldplay

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Quando ouvi a música pela primeira vez, pensei: é mais uma singela canção de amor do Coldplay para bombar na novela das oito. Agora já não sei mais. É sobre George W. Bush? É sobre um planeta caótico? É sobre uma tevê sintonizada em cabo pirata? É sobre uma daquelas colagens engraçadinhas que eu fazia em VHS aos 12 anos de idade? Não faço idéia, só sei que não ouço mais essa música da mesma forma depois deste clipezinho histérico e estranho (dirigido por Mat Whitecross).

‘To survive’ Joan as Police Woman ***

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Este é um blog eclético, sabe? Temos de tudo, em várias cores e tamanhos. Fotografias escabrosas de celebridades sem futuro, crônicas amargas da vida em uma cidade planejada, piadinhas internas sobre festivas de cinema realizados em outro planeta e desabafos com confissões desencontradas. E tem também os filmes. E (vocês reparam?) os discos.

Sei que esses comentários sobre álbuns que ninguém conhece podem soar enfadonhos, e me pergunto quase sempre se não deveria apelar para textos mais compactos, pílulas de (suposta) sabedoria. Mas taí um assunto que, em caso de isolamento em ilha deserta, renderia longas conversas com os coqueiros. “Ouviram o novo álbum da compositora búlgara de electrorock?”, e os coqueiros me responderiam com o ar blasé de sempre. Indiferentes, mas não teria importância.

Ouço um disco como este To survive e tenho vontade de escrever uns vinte parágrafos redundantes. Não, calma aí, não chegarei a tanto. É que não consigo esgotar a discussão sobre bons álbuns. A experiência de um blog, nesse sentido, é enlouquecedora: temos sempre e apenas as primeiras impressões, que pingam no chão feito tinta fresca. Os textos, em conseqüência dessa mania de velocidade, saem derramados, apressados, tortos, entusiasmados ou agressivos demais. Tenho até vergonha de lê-los no dia seguinte, quando o disco acorda ao meu lado cheio de remelas nos olhos.

Mas faz parte do jogo, não faz? Então espero que vocês, em dois dias, tratem os próximos parágrafos como lembranças distantes. To survive é um disco bonito, bonito de chorar, que vocês deviam começar a ouvir hoje à noite. É um álbum que, se tudo der certo, ganhará o peso de discos como The greatest, de Cat Power, e The reminder, da Feist. Não são perfeitos (há umas cinco faixas da Feist, as mais letárgicas, que nem passo perto), mas eles se assemelham ao aliar um discurso confessional, íntimo, a um trabalho delicado e cuidadoso de produção. Quando essa equação perde a medida, acabam soando polidos, exageradamente limpinhos.

O anterior de Joan Wasser, Real life (1996), já era um diário dilacerado. Este To survive, com participação de Rufus Wanwright e um tom melancólico que às vezes lembra Antony and the Johnsons (sem metade do desespero), arredonda as canções de Joan sem amaciá-las. É um disco que não tem pressa para levar-nos ao ponto mais alto da montanha (que chega só na faixa final, To America) e que, durante a jornada, nos surpreende com canções levadas ao piano, emocionantes e tão simples quanto os nomes que elas recebem: To be loved, To be lonely, To survive. O único porém do álbum está no miolo, com faixas sem o impacto da abertura ou do encerramento. Mas servem para que se construa a encenação enevoada de um álbum que, confiem em mim, vai entrar em um monte de listas de melhores do ano.

E digo isso com a euforia precipitada de um texto de blog – que não embrulha peixe no dia seguinte, mas envelhece com uma rapidez que ainda me impressiona.

Celebridades

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Há vezes em que algumas celebridades me assustam. Certas celebridades. Algumas vezes.

Domingo

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Você sabe que vive numa cidade estranha quando, domingo pela manhã, a via principal é empacada por um engarrafamento monumental provocado por um sujeito que, na cara dura, em plena pista, contra tudo e contra todos, pára o Del Rey prateado pra descarregar umas 20 bandejas de salgados e docinhos.

Brasília não existe.

Linha de Passe no páreo?

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Salles e Thomas nos dão um painel humano rico, com a estampa forte de um lugar, e quase todas as notas soam afinadas. Em termos de cinema brasileiro, representa o que de melhor há atualmente.

Ainda não li muitos comentários sobre o filme, e não me entusiasmo tanto assim com a idéia de um novo Walter Salles, mas parece que Linha de passe compensou em Cannes a friaca deixada por Ensaio sobre a cegueira. Favorito à Palma de Ouro, disseram, ainda não apareceu.

Lost: There’s no place like home, part 1 ***

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Pressa? Para que pressa?

Previsível isso: a primeira parte do looongo episódio que encerra a quarta temporada de Lost não vai direto ao assunto. Não resolve mistérios, não nos ensina técnicas de teletransporte, não esclarece questões que já começam a incomodar. Quem é o homem da cabana? Que papel terá a estação Orquídea nessa história toda? E o embate sangrento pelo domínio da ilha? Não há respostas, já que o início deste There’s no place like home funciona como prólogo para o capítulo duplo que será exibido em duas semanas.

Mas (e aí a boa notícia) que prólogo! Segurar as expectativas dos fãs da série (a essa altura, aflitos por uma conclusão no mínimo aterradora) não é simples. Este belo episódio da dupla dinâmica Damon Lidelof e Carlton Cuse recorre a uma saída inteligente para fisgar nossa atenção e, ainda assim, não revelar quase nenhuma novidade sobre os eventos desta temporada. O que eles fazem? Simplesmente olham para o futuro.

O truque dos flashforwards, testado com eficiência absoluta no final da terceira temporada, retorna na hora certa. Os conflitos da ilha podem não interessar tanto aqui (eles arrumam o terreno para o que virá a seguir, nada além), mas acompanhar o retorno dos Oceanic 6 ao “mundo real” vale mais que qualquer surpresa bombástica. De volta a uma velha rotina, os personagens retomam histórias iniciadas lá na primeira temporada (os números que atazanam Hurley, por exemplo) – e isso nos interessa. A seqüência de abertura, dentro do avião de resgate, e as cenas da coletiva de imprensa (para ficarmos nos dois melhores exemplos) preenchem lacunas de capítulos anteriores sem deixar sensação de redundância. Dá até para descontar a revelação à novela mexicana que acaba assombrando Jack: Lidelof e Cuse sabem exatamente para onde aponta a curiosidade dos fãs de Lost.

O bacana é que, ao mesmo tempo em que nos bombardeia com as imagens do futuro, os roteiristas conseguem construir atmosfera de suspense com pouquíssimos elementos. A cena-chave é uma das primeiras: quando, de volta para casa, os sobreviventes combinam um discurso oficial para a imprensa. Os silêncios e as pausas dos diálogos indicam que algo desastroso ocorreu na ilha pouco antes do resgate dos Oceanic 6. É uma questão mínima, até óbvia, mas quer saber? De alguma forma, essa interrogação nos deixa novamente com pressa, muita pressa.

Clipe: ‘Going on’ Gnarls Barkley

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Sei que todo mundo já viu, mas vamos assistir de novo ao clipe do Gnarls Barkley? O trecho que mais gosto é o da dancinha frenética das primeiras cenas, mas há tantos momentos divertidos que você pode escolher o favorito. E, puts, comemorar a descoberta de um portal para outra dimensão com uma fogosa reunião dançante? De onde tiraram a idéia?

A direção é de Wendy Morgan, moça de futuro.