‘Velocifero’ Ladytron **

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O quarto álbum do Ladytron abre com uma faixa cantada em búlgaro, é co-produzido pelo tecladista dos shows do Nine Inch Nails (Alessandro Cortini) e por um novo queridinho da eletrônica francesa (Vicarious Bliss, da Ed Banger Records, casa do Justice), tem influências de Mutantes e Ennio Morricone. Como esses elementos transformam a estética do quarteto? Incrivelmente, em quase nada. Velocifero não faz muito além de sublinhar a guinada de Witching hour (2005), um trabalho mais próximo do shoegaze e do rock industrial, um pouco mais afastado do electroclash – rótulo que a banda faz questão de negar radicalmente.

Agora dá para dividir a discografia do grupo em dois momentos. O primeiro, mais sacana e doce, de 604 (de 2001) e Light and magic (2002). O segundo, a partir de Witching hour (o meu preferido), com influências mais claras de My Bloody Valentine e Stereolab, mas ainda assim sem abandonar a pista de dança. Em comparação ao anterior, Velocifero é um set mais caótico, mais aventureiro, ainda que essa falta de direção não conte muito a favor da banda (o que os Mutantes faziam com leveza e naturalidade, para eles soa como um parto). Dá para notar alguns ótimos momentos, principalmente quando eles se dedicam a mantras de rock (I’m not scared, Tomorrow e Versus são ótimas). Mas, entre um e outro, acabamos topando em faixas de impacto nulo como Deep blue (que parece Madonna de caso com Depeche Mode) e uma outra canção em búlgaro que não diverte, não perturba, e parece não fazer muito sentido.

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