Dia: maio 17, 2008

Linha de Passe no páreo?

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Salles e Thomas nos dão um painel humano rico, com a estampa forte de um lugar, e quase todas as notas soam afinadas. Em termos de cinema brasileiro, representa o que de melhor há atualmente.

Ainda não li muitos comentários sobre o filme, e não me entusiasmo tanto assim com a idéia de um novo Walter Salles, mas parece que Linha de passe compensou em Cannes a friaca deixada por Ensaio sobre a cegueira. Favorito à Palma de Ouro, disseram, ainda não apareceu.

Lost: There’s no place like home, part 1 ***

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Pressa? Para que pressa?

Previsível isso: a primeira parte do looongo episódio que encerra a quarta temporada de Lost não vai direto ao assunto. Não resolve mistérios, não nos ensina técnicas de teletransporte, não esclarece questões que já começam a incomodar. Quem é o homem da cabana? Que papel terá a estação Orquídea nessa história toda? E o embate sangrento pelo domínio da ilha? Não há respostas, já que o início deste There’s no place like home funciona como prólogo para o capítulo duplo que será exibido em duas semanas.

Mas (e aí a boa notícia) que prólogo! Segurar as expectativas dos fãs da série (a essa altura, aflitos por uma conclusão no mínimo aterradora) não é simples. Este belo episódio da dupla dinâmica Damon Lidelof e Carlton Cuse recorre a uma saída inteligente para fisgar nossa atenção e, ainda assim, não revelar quase nenhuma novidade sobre os eventos desta temporada. O que eles fazem? Simplesmente olham para o futuro.

O truque dos flashforwards, testado com eficiência absoluta no final da terceira temporada, retorna na hora certa. Os conflitos da ilha podem não interessar tanto aqui (eles arrumam o terreno para o que virá a seguir, nada além), mas acompanhar o retorno dos Oceanic 6 ao “mundo real” vale mais que qualquer surpresa bombástica. De volta a uma velha rotina, os personagens retomam histórias iniciadas lá na primeira temporada (os números que atazanam Hurley, por exemplo) – e isso nos interessa. A seqüência de abertura, dentro do avião de resgate, e as cenas da coletiva de imprensa (para ficarmos nos dois melhores exemplos) preenchem lacunas de capítulos anteriores sem deixar sensação de redundância. Dá até para descontar a revelação à novela mexicana que acaba assombrando Jack: Lidelof e Cuse sabem exatamente para onde aponta a curiosidade dos fãs de Lost.

O bacana é que, ao mesmo tempo em que nos bombardeia com as imagens do futuro, os roteiristas conseguem construir atmosfera de suspense com pouquíssimos elementos. A cena-chave é uma das primeiras: quando, de volta para casa, os sobreviventes combinam um discurso oficial para a imprensa. Os silêncios e as pausas dos diálogos indicam que algo desastroso ocorreu na ilha pouco antes do resgate dos Oceanic 6. É uma questão mínima, até óbvia, mas quer saber? De alguma forma, essa interrogação nos deixa novamente com pressa, muita pressa.